A Polícia Federal afirma ter encontrado mensagens em
que o senador Jaques Wagner (PT-BA) oferece o próprio gabinete no Senado como o
local “mais protegido e discreto” para reuniões com gestores ligados ao Banco
Master.
As conversas fazem parte da investigação da Operação
Compliance Zero, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF,
conforme informações da coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles.
Segundo a PF, as mensagens foram encontradas no
celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em um áudio enviado na noite de 29 de abril de 2024,
Jaques Wagner afirma que o gabinete seria o melhor local para um encontro e diz
que Augusto poderia entrar sem passar pela identificação. Na conversa, o
senador também cita o advogado-geral da União, Jorge Messias.
De acordo com a investigação, houve pelo menos dois
encontros no gabinete, em 30 de abril e 27 de agosto de 2024. A PF afirma que a
primeira reunião tratou de interesses estratégicos e regulatórios do Banco
Master.
Apesar de ser mencionado nas mensagens, Jorge
Messias declarou ao Metrópoles que não participou do encontro.
A investigação também aponta que a reunião de agosto
abordou a PEC nº 65/2023, conhecida como “Emenda Master”, que tratava de
mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tema de interesse do banco.
Além das mensagens, a PF afirma investigar se Jaques
Wagner recebeu vantagens indevidas, como o uso de aeronaves privadas ligadas a
Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, e se houve atuação parlamentar alinhada
aos interesses do Banco Master.
As apurações seguem em andamento e, até o momento,
não há decisão judicial definitiva sobre o caso.

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