A
van apreendida com 174 tabletes de uma substância semelhante à maconha, no
bairro do Cuiá, em João Pessoa,
está alugada à prefeitura de Mataraca, no Litoral Norte, de acordo com
informações apuradas pela Rede Paraíba. O valor do aluguel é de R$
261 mil e válido por 12 meses. O carro é registrado no nome do delegado
de Polícia Civil, Walter Brandão.
O veículo está vinculado, pelo aluguel, ao Fundo
Municipal de Saúde através da empresa J P dos Prazeres Lucena. A empresa tem as
iniciais de João Paulo dos Prazeres Lucena, que seria o dono do empreendimento
e sócio informal do delegado Walter Brandão. Os dois relataram em
depoimento à Polícia Civil a existência da sociedade informal.
Walter Brandão e João Paulo Prazeres prestaram esclarecimentos
à polícia como testemunhas. Eles dizem que não tinham conhecimento da droga
encontrada no interior do veículo e que são vítimas da situação. Leia o
posicionamento do delegado mais abaixo.
O proprietário da oficina em que a van foi
encontrada, Geovani Rodrigues Fernandes, foi preso em flagrante. Ele estava com
as chaves do veículo no momento em que os policiais chegaram ao local. Ele
permaneceu em silêncio ao ser interrogado pela Polícia Civil.
A Polícia Civil da Paraíba informou que instaurou um
procedimento investigativo para apurar as circunstâncias da apreensão e que
dará continuidade às investigações.
Contrato de aluguel com a prefeitura
De acordo com o sistema Sagres, do Tribunal de
Contas do Estado (TCE), a J P dos Prazeres Lucena possui contratos com a
prefeitura de Mataraca desde, pelo menos, o ano de 2020. Com serviços
contratados que variam entre R$ 173 mil e R$ 225 mil por ano para o transporte
dos profissionais de saúde.
O contrato atual entre prefeitura e empresa é válido
por 12 meses e começou desde março de 2026. O procedimento estabelece o
transporte de profissionais de saúde de João Pessoa para Mataraca durante a
semana.
No total, de 2020 pra cá, a empresa teria recebido
quase R$ 1,2 milhão da prefeitura para prestação dos serviços.
O que diz a prefeitura
Em nota, a prefeitura de Mataraca disse que o
"o veículo recentemente apreendido pela Polícia prestava serviços ao
Município mediante contrato de transporte, cuja finalidade era exclusivamente
realizar o deslocamento de profissionais de saúde de João Pessoa até Mataraca, para
atendimento à população na rede municipal de saúde".
A nota afirma ainda que "o referido veículo não
estava à disposição da Prefeitura para quaisquer outras atividades, sendo sua
utilização contratual restrita ao transporte dos profissionais da saúde no trajeto
mencionado. Dessa forma, eventuais utilizações do veículo para finalidades
distintas daquelas previstas no contrato não integram os serviços contratado
pela Administração Municipal".
O que diz o delegado
Em nota, o delegado Walter Brandão, informou que o
veículo foi deixado na oficina no dia 29 de outubro, por um prestador de
serviço, e afirmou desconhecer a existência das substâncias encontradas. O
delegado prestou depoimento no domingo (1º) sobre o caso , na Central de
Flagrantes.
"Fui surpreendido com a notícia de que o
veículo teria sido utilizado para atividades ilícitas, sem meu conhecimento ou
consentimento. Sou vítima dessa situação, assim como poderia ser qualquer
cidadão que, de boa-fé, confia seu veículo a uma oficina para a realização de
um conserto", disse o delegado.
Ainda em nota, o delegado Walter Brandão declarou
que confia na apuração rigorosa dos fatos e afirmou estar em “absoluta
tranquilidade”.


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