O Rio Grande do Norte amanhece de luto. Em poucos dias, duas histórias que se confundem com a alma de suas cidades chegaram ao fim: José Freire, em Tangará, e Lula Pilão, em Montanhas. Dois homens de caminhos diferentes, unidos pelo mesmo traço: o de quem fez do trabalho, da palavra dada e da generosidade a sua maior herança.
José Freire foi uma lenda da Cosern. Dono da matrícula nº 63, um dos primeiros funcionários da empresa, nasceu na Várzea do Milho, em Tangará, e entrou como soldador. Foi eletricista, atendeu Tangará, Sítio Novo, Senador Elói de Souza, Serra Caiada e Boa Saúde, e depois operador da Subestação de Tangará. Fez leituras de medidores, entregou recibos, recebeu pagamentos e ligou casas que esperavam ansiosas pela luz. Muitas famílias viram a energia chegar pelas mãos dele. Conhecido por quase todos os colegas, viveu toda a sua vida na terra que amava.
Lula Pilão foi uma lenda da vaquejada. Apaixonado pela tradição nordestina, promoveu durante muitos anos grandes vaquejadas em Montanhas, reunindo vaqueiros, amigos e admiradores do esporte, movimentando a economia e fortalecendo a cultura local. Homem de portas abertas, sabia acolher os amigos e valorizar as raízes do nosso povo. Deixa lembranças de momentos especiais que fazem parte da história de Montanhas.
Um levou a luz às casas. O outro levou a alegria à festa, a tradição à pista e o encontro à cidade. Ambos serviram ao seu povo com humildade, honraram o sertão e o interior que os viu nascer e construíram, cada um à sua maneira, o desenvolvimento e a identidade das comunidades onde viveram.
Partem os homens, ficam os exemplos: a dedicação ao trabalho, o amor à terra, o respeito às tradições e o prazer de receber bem. Esses valores seguem vivos nos filhos, nos amigos, nos colegas e em cada pessoa que um dia foi tocada por eles.
Às famílias enlutadas, aos amigos, aos ex-colegas da Cosern e à comunidade da vaquejada, expressamos nossos mais sinceros sentimentos. Que Deus os receba na glória e conforte os corações dos que ficam.
Descansem em paz, José Freire e Lula Pilão. Duas lendas que o tempo não apaga. 🕊️

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