A reportagem de capa da Revista VEJA da semana
passada mostrou com áudios e documentos parte das informações que o
ex-banqueiro já se dispôs a entregar às autoridades competentes. Na matéria em
questão, Vorcaro diz ter pago 30 milhões de reais para ajudar no financiamento
do documentário sobre Lula, de Oliver Stone, além de um valor não revelado ao
Instituto Lula, sendo tudo isso uma espécie de “pedágio” para ter acesso aos
fundos de pensão das estatais. O ex-banqueiro disse ter levado, por meio de
seus advogados, essas informações à Procuradoria-Geral da República.
Diálogos do celular do ex-dono do Master, apreendido
pela Polícia Federal, reproduzidos na reportagem de VEJA, comprovam que, depois
disso, Vorcaro teve encontros com Alexandre Padilha, então ministro de Relações
Institucionais de Lula, e contou com a ajuda de auxiliares dele para realizar
uma série de reuniões em instituições como Postalis, Previ e Petros para tratar
de um negócio que renderia aos cofres do Master 10 bilhões de reais. Em sua proposta
de delação, o ex-banqueiro diz que, em contrapartida, pagaria a esses
operadores uma propina de 10% sobre o dinheiro arrecadado.
A autenticidade do áudio foi confirmada por
diferentes fontes. Advogado de Vorcaro, Daniel Bialski divulgou nota dizendo que
a voz da gravação é realmente do seu cliente. Natália Vorcaro, irmã do
ex-banqueiro, também atestou à VEJA a mesma informação. VEJA também submeteu
esses áudios a uma perícia, de forma a comprovar a autenticidade da voz e a
ausência de qualquer edição ou manipulação no material.
O laudo, assinado pelo perito Leocadio Casanova, não
deixa dúvidas. Sobre a autenticidade da voz, o especialista escreve o seguinte:
“Os exames instrumentais são COMPATÍVEIS com a hipótese de que a voz presente
nos cinco áudios questionados é a de Daniel Vorcaro, e nenhum parâmetro
examinado é contrário a essa hipótese”. Leocadio também descarta qualquer
possibilidade de manipulação no material divulgado por VEJA: “Submetidos aos
exames estrutural, espectral, de continuidade temporal, de duplicação e de
indicadores de síntese, os cinco arquivos identificados pelos hashes da Tabela
1 não apresentam qualquer elemento técnico indicativo de montagem, edição,
corte, inserção, reordenação, síntese ou manipulação de voz por inteligência
artificial”.
O perito responsável por essa análise tem mais de
duas décadas de experiência e atuação em casos criminais de alta repercussão no
Brasil. Um deles foi o áudio em que o empresário Joesley Batista, do grupo
J&F, gravou secretamente em 2017 o então presidente Michel Temer.
Revista Veja



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