Alexandre de Moraes é um homem com medo. O carrasco
do bolsonarismo tenta evitar o patíbulo do impeachment fazendo o que não fez
nos últimos sete anos, desde a abertura do inquérito das fake news: justiça.
O texto é da coluna de Mario Sabino, do Metrópoles.
Após a vitória acachapante da direita no Senado, ele permitiu que Flávio
Bolsonaro visitasse o seu pai preso e autorizou que a cabeleireira Débora
Rodrigues dos Santos, a “Débora do batom”, a cumprir a pena em regime
semiaberto.
O entorno do ministro também fez questão de divulgar
que Moraes arquivou uma investigação contra os bolsonaristas Marcos do Val,
Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ednardo Raposo. O arco de acusações ia de
intimidação a policiais federais a corrupção de menores, no caso de Eustáquio,
acusado de ter usado o perfil da filha para cometer atos ilícitos (aliás, os
abusos cometidos pelo STF e pela PF contra essa adolescente deveriam entrar
para história da infâmia).
O decano da Corte, por sua vez, colaborou para
tentar angariar a boa vontade dos vencedores no primeiro turno ao encerrar a
investigação contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio Bolsonaro, acusados
por Lindbergh Farias e Sonia Thronicke de estupro de vulnerável.
Era evidente calúnia, mas Gilmar Mendes só arquivou
o inquérito depois do resultado nas urnas.
Todos esses movimentos provam por contraste, como se
ainda houvesse necessidade de prova, que essa ala do STF vinha
instrumentalizando a justiça para o fim político de manter a direita acuada.
A má notícia para Moraes é que o seu impeachment já
está precificado: os senadores recém-eleitos não estão dispostos a trair o seu
eleitorado, e Flávio Bolsonaro não deverá ousar entabular um acordão para
salvar o carrasco do seu pai.
São muitos os sinais de que Moraes está com os dias
contados como ministro.
O senador Rogério Marinho, cotado para ser o próximo
presidente do Senado, foi finalmente recebido por Edson Fachin. Ele disse ao
presidente do STF que não haverá vingança contra o tribunal, mas que o Senado
não será omisso em relação aos crimes de responsabilidade cometidos por
ministros da Corte. Há uma penca deles atribuídas a Moraes.
Soube-se também, por meio da jornalista Bela Megale,
que Flávio e Marinho se encontraram há um mês com Gilmar, separadamente.
De acordo com a jornalista, o ministro ouviu
críticas de ambos, em especial sobre Flávio ter sido proibido de visitar o pai,
e Rogério Marinho disse a Gilmar que considerava “improvável” que, em
caso de vitória final da chapa bolsonarista, Moraes pudesse ser preservado na
sua cadeira no STF.
A leitura da nota leva a crer que foi o decano quem
intercedeu junto à PGR e à Moraes para que Flávio tivesse permissão de ver o
pai. É muito conveniente para Gilmar levar esse crédito neste momento.
Trata-se do tipo de vazamento que, certamente vindo
do entorno do decano, se não do próprio, mostra como a cabeça de Moraes já está
sendo entregue aos leões em meio ao salve-se quem puder.
Nem mais os petistas querem saber do ministro que,
até poucos dias atrás, operava em conjunto com Davi Alcolumbre para beneficiar
Lula com manobras eleitoreiras.
Eles tentam agora jogar Moraes no colo de Flávio,
como noticia o colega de Metrópoles Igor Gadelha.
O jornalista publicou que “lideranças do PT e
aliados de Lula acreditam que o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB) a
Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno envolveria um acordo para salvar o
ministro do STF Alexandre de Moraes”.
O coordenador da campanha de Lula, o advogado Marco
Aurélio de Carvalho, disse que “Temer não faz nada de graça, como todos nós
sabemos. É um velhaco da política. Deve ter feito um acordo para salvar o seu
ministro, que, inclusive, trabalhou para que ele fosse contratado pelo Banco
Master.”
Na rede social X, Rogério Marinho correu para gritar
que era fake.
Não adianta o PT trair Moraes: Lula é Moraes; Moraes
é Lula. As duas figuras são indissociáveis. E Moraes, pelo menos, já era, se
não houver mesmo traição ao eleitorado da direita.

Nenhum comentário:
Postar um comentário