A lobista Roberta Luchsinger recebeu R$ 4,1 milhões
de empresas ligadas ao empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como
Eduardo DP, alvo da Polícia Federal. Uma delas contratou Amauri Rodrigues
Pinha, vizinho de filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o
Lulinha, para representá-la em reunião com o Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (Coaf), obtido pela reportagem
do Estadão, aponta que a EDP Infraestrutura e Pavimentação pagou R$ 2,2
milhões à empresa de Roberta entre setembro de 2024 e março de 2025. No mesmo
período, a Pentágono Comércio e Engenharia transferiu outros R$ 1,9 milhão.
Ambas são apontadas como ligadas a Eduardo DP.
Em 10 de setembro de 2024, Amauri Pinha participou
de reunião com o diretor-geral do Dnit para tratar de obras públicas. Eduardo
DP também esteve presente. O empresário é investigado por suspeita de desvios
de emendas parlamentares destinadas à pavimentação no Maranhão. O deputado
Juscelino Filho (União), ex-ministro das Comunicações, foi denunciado pela
Procuradoria-Geral da República no caso.
Em entrevista à CNN Brasil, Roberta afirmou que
Amauri é amigo e parceiro de negócios de Lulinha, mas não apontou irregularidades
nem detalhou eventual atuação do filho do presidente em contratos públicos. A
defesa de Lulinha negou negócios entre os dois e disse que eles mantêm apenas
uma amizade. Em nota, a Presidência da República afirmou que Lula desconhece os
fatos relatados.
A EDP está proibida de contratar com o poder público
desde junho de 2026, por decisão preventiva do Supremo Tribunal Federal (STF).
A empresa afirma cumprir a legislação e colaborar com as autoridades. As
defesas de Roberta e Amauri não se manifestaram.
A Polícia Federal identificou mensagens entre
Roberta e Lulinha, e três inquéritos no STF apuram suspeitas de tráfico de
influência envolvendo os dois. Também de acordo com a reportagem do Estadão, a
lobista também realizou mais de 40 visitas a órgãos federais durante o governo
Lula que não constam nas agendas públicas.

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