Em post publicado nesta sexta-feira (23), o jornalista americano Michael Shellenberger afirmou que Lula (PT) mantém ligação com figuras da organização crminosa “Primeiro Comando da Capital (PCC)” por meio do contador João Muniz Leite, investigado por lavagem de dinheiro da facção. Segundo Shellenberger, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou, em 8 de outubro, que o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) apagasse publicações nas redes sociais que associavam Lula à organização, classificada pelo governo dos Estados Unidos como “Foreign Terrorist Organization”. A informação é do Diário do Poder.
Shellenberger detalha que Muniz Leite elaborou as
declarações de imposto de renda de Lula (em período entre 2011 e 2016, segundo
reportagens brasileiras), atuou por 14 anos como contador de Roberto Teixeira,
advogado de longa data do petista e sogro do ministro do STF Cristiano Zanin, e
continua prestando serviços contábeis a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,
filho do presidente. O escritório do contador fica no mesmo prédio, em
Pinheiros (zona oeste de São Paulo), onde funcionaram empresas de Lulinha.
A reportagem de Shellenberger, publicada também em
português em seu site Public, ressalta que dividir contador com figuras
ligadas ao PCC não significa que a facção controle Lula — o presidente reagiu
com veemência à designação americana do grupo como organização terrorista. No
entanto, o jornalista argumenta que o TSE foi longe demais ao afirmar ausência
de base factual. Até veículos considerados mais próximos ao governo, como a CNN
Brasil, republicaram matéria do Estadão com o título “Contador ligado
a Lula é suspeito de lavar R$ 16 milhões em loteria com PCC”.
Conheça a clientela do contador de
Lulinha
Investigações do Ministério Público de São Paulo
apontam Muniz Leite em múltiplas operações. Ele é suspeito de ter lavado
dinheiro para Anselmo Becheli Santa Fausta, o “Cara Preta”, fornecedor de
drogas do PCC assassinado em 2021. Em 2021, o contador chamou atenção da
polícia após receber 55 prêmios de loteria em um único ano; dados da Polícia
Federal indicaram que ele e a esposa ganharam juntos centenas de vezes em
diferentes loterias.
Na Operação Spare, deflagrada em setembro de 2025,
promotores afirmaram que os autos não deixavam “dúvidas da participação ativa
de João Muniz nas estratégias de lavagem de dinheiro da organização criminosa”.
O contador é investigado por elaborar declarações de imposto de renda de Flávio
Silvério Siqueira (Flavinho), apontado como coordenador de rede de “laranjas”
em postos de combustíveis, casas de jogos, imóveis e motéis.
Registros bancários obtidos por inquérito
parlamentar e reportados pelo SBT News mostram que Lulinha fez transferências
de R$1,8 mil para Muniz Leite em 2025, parte delas após a Operação Spare. A
defesa de Lulinha confirmou a relação profissional de mais de 20 anos. O
Palácio do Planalto e a defesa do contador negam irregularidades e afirmam que
não há vínculo criminoso com a família presidencial.
Censura judicial
Shellenberger também recorda o histórico de censura
judicial. Em 2022, o ministro Alexandre de Moraes, então presidente em
exercício do TSE, determinou a remoção de conteúdos que associavam Lula e o PT
ao PCC, incluindo reportagens sobre interceptação em que o líder Marcola teria
feito declaração de voto.
A decisão de outubro de 2026, relatada pelo ministro
André Mendonça e confirmada por unanimidade, considerou que a associação a
organizações criminosas sem “substrato fático mínimo” ultrapassa os limites da
crítica política e configura grave descontextualização. O segundo turno da
eleição presidencial ocorre neste domingo (25).
O post de Shellenberger reúne reportagens de
veículos brasileiros como Estadão, Metrópoles, CNN Brasil e SBT News, e
ganhou repercussão entre críticos do governo, que apontam o episódio como
exemplo de restrição a informações de interesse público durante o processo
eleitoral.

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