A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) e a
Polícia Civil de Sergipe (PCSE) deflagraram, nesta quarta-feira (28), a
Operação “Acesso Negado”, nos municípios de Natal e Nísia Floresta. A ação tem
como objetivo o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva e 26 mandados
de busca e apreensão contra investigados por integrar um grupo criminoso com
atuação interestadual, suspeito de praticar furtos de aparelhos celulares
durante grandes eventos e de atuar na receptação, no desbloqueio e na
comercialização dos dispositivos.
Até o momento, sete pessoas foram presas durante a
operação, sendo seis em Natal e uma no município de Nísia Floresta. Durante as
diligências, as equipes policiais também localizaram um aparelho celular com
registro de furto, além de apreenderem drogas, balança de precisão e outros
materiais que serão analisados no decorrer das investigações.
As investigações tiveram início após o furto de um
aparelho celular durante o Pré-Caju de 2025, realizado em Aracaju (SE). A
partir do rastreamento do dispositivo, os policiais identificaram uma
hospedagem utilizada por pessoas que haviam se deslocado de outro estado para
participar do evento. O aprofundamento das diligências possibilitou a
identificação de veículos utilizados pelos suspeitos, responsáveis por locações
e pagamentos de hospedagens, além de outros vínculos entre os investigados.
De acordo com as investigações, o grupo apresentava
indícios de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação em
diferentes estados. Os suspeitos realizavam deslocamentos previamente
planejados para grandes festas e eventos com elevada concentração de público,
organizando transporte, hospedagem e distribuição de funções entre os
integrantes.
Durante os eventos, parte dos investigados seria
responsável pela subtração dos aparelhos, enquanto outros atuariam na guarda temporária,
no transporte e na retirada dos dispositivos dos locais. Também foram
identificadas estratégias utilizadas para dificultar a recuperação dos
celulares e a identificação dos envolvidos, incluindo o repasse imediato dos
aparelhos entre integrantes do grupo.
Crime de remoção de contas
As diligências apontaram ainda indícios de atuação
criminosa após os furtos, com possíveis procedimentos destinados à remoção de
contas dos proprietários, consulta de números de identificação dos aparelhos
(IMEI), formatação e negociação dos dispositivos com compradores e
receptadores. Outro ponto investigado envolve a possível utilização de técnicas
de engenharia social para obter informações pessoais e facilitar o acesso aos
celulares e às contas vinculadas às vítimas. Durante a apuração, foram
encontrados registros relacionados a ferramentas de chamadas automatizadas,
modelos de voz e mecanismos de coleta de informações, que podem estar
associados à prática conhecida como “vishing”, modalidade de fraude que utiliza
ligações ou contatos simulados para induzir vítimas a fornecer códigos, senhas
ou outras credenciais.
Essa linha investigativa permanece sob análise
técnica, com o objetivo de esclarecer a efetiva utilização dessas ferramentas e
a possível participação dos investigados nas condutas identificadas. As
investigações também apontaram que integrantes do grupo teriam mantido vínculos
ao longo de 2026, com referências a novos deslocamentos para festas e eventos
realizados em diferentes cidades do Nordeste.

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