A vantagem nas pesquisas para o segundo turno das
eleições presidenciais acelerou a corrida interna na campanha de Flávio
Bolsonaro (PL). Nos bastidores, familiares, caciques políticos e conselheiros
econômicos já travam uma intensa disputa velada pelo comando do Ministério da
Fazenda em um eventual governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O fogo cruzado ocorre em um momento de maior pressão
sobre a candidatura, que enfrenta a ofensiva do governo de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) contra a sinalização de um corte de R$ 200 bilhões em despesas
públicas, cerca de 1,5% do PIB.
A disputa ganhou novos contornos após a reeleição de
Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo com 62,65% dos
votos. Agora empenhado diretamente na campanha presidencial após divergências
iniciais com a família Bolsonaro, Tarcísio trouxe para o centro do debate o
nome de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atual
vice-chairman do Nubank.
Campos Neto conta com a simpatia do mercado
financeiro e a chancelar de Tarcísio, com quem trabalhou no governo federal. A
interlocutores, porém, o executivo afirma estar focado em sua atuação no setor
privado, enquanto o governador paulista nega formalizar indicações antes do
resultado das urnas.
A aposta de Eduardo Bolsonaro e as alas
rivais
Em outra frente, o deputado Eduardo Bolsonaro
articula a indicação do financista Marcelo Kayath, sócio da gestora QMS Capital
e ex-executivo do Credit Suisse. Embora tenha atuado na aproximação da
candidatura com banqueiros e grandes empresários, Kayath já enfrenta focos de
“fritura” da ala ideológica por ter apoiado Lula no passado e criticado a
gestão de Paulo Guedes.
No centro das articulações também figura Daniella
Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora do plano de governo de Flávio.
Cotada tanto para uma pasta social quanto para o núcleo econômico, Daniella
costura diálogo com o mercado e é entusiasta do nome de Alexandre Bettamio,
executivo do Bank of America.
Correndo por fora no núcleo duro estão o ex-ministro
Adolfo Sachsida, que coordena o plano econômico com apoio de Carlos e Jair
Bolsonaro, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), lembrado como uma possível
alternativa política.
Ciente das tensões, Flávio Bolsonaro tem evitado
declarações públicas sobre nomes. Nos bastidores, aliados são unânimes: a
palavra final sobre quem comandará a economia do país caberá a Jair Bolsonaro.
Com informações da Folha de São Paulo

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