terça-feira, 13 de outubro de 2026

Exército de Lula: Por que imprensa omitiu que mensagens foram apagadas?

 


Parte da cobertura sobre o relatório da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE repercutiu a conclusão de que a área técnica "não identificou fake news" no canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A formulação, porém, omite um dado central contido no próprio documento: as mensagens com conteúdo investigado já haviam sido apagadas do canal antes da checagem.

Segundo a análise técnica da AEED, realizada entre os dias 2 e 11 de outubro a pedido do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a equipe não encontrou, no período examinado, as afirmações investigadas sobre suposto corte do Bolsa Família, redução de aposentadorias e temas religiosos. O próprio relatório, no entanto, ressalva que parte do conteúdo publicado em setembro foi apagado antes da checagem pública e que vídeos vinculados às postagens não puderam ser integralmente transcritos.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) rebateu diretamente a narrativa de que o canal estaria "limpo", classificando-a como consequência direta da estratégia de apagamento sistemático de provas por Janones. Segundo nota divulgada pela campanha, o deputado digitou apenas comandos como "EXPLODAM" e "COMPARTILHEM" associados a links externos — método que dificulta a detecção de desinformação, já que o conteúdo ilícito está no link, e não no texto publicado no canal.

"Esse comportamento deliberado de fuga aos mecanismos de controle é tão efetivo que a própria Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, em seu relatório, não conseguiu detectar os ilícitos cometidos no canal, justamente porque eles estão nos links, e não nos comandos, e não foi possível acessá-los, dado o apagamento dos dados e histórico", diz o documento.

Para a campanha, headlines que resumem o episódio apenas como "técnicos não encontraram fake news" distorcem o sentido do relatório, ao sugerir ausência de irregularidade onde, segundo a própria AEED, houve indisponibilidade de provas por apagamento prévio — além da constatação técnica de "atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais" no canal.

 

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