Um movimento que carrega a palavra “democracia” no
nome deveria dar exemplo de respeito às leis, à liberdade e ao patrimônio
público. No entanto, denúncias de vandalismo após a chamada “Marcha pela
Democracia”, realizada neste domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo,
levantam questionamentos sobre a contradição entre o discurso político e as
atitudes registradas durante a manifestação.
O ato, realizado em apoio à reeleição do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi associado a relatos de pichações, danos a
estruturas de estações do metrô, depredação de bancas e sujeira deixada em
espaços públicos.
Segundo informações atribuídas à Polícia Militar,
portas e grades de acesso à estação Consolação teriam sido danificadas durante
a dispersão dos manifestantes.
Outro episódio preocupante envolve a divulgação de
uma pichação com conteúdo ameaçador, além da presença de uma bandeira com a
imagem de um fuzil. Caso confirmados, esses registros representam atitudes
incompatíveis com qualquer manifestação que pretenda defender valores
democráticos.
Mas afinal, que democracia é essa que se defende nas
palavras enquanto o patrimônio público acaba destruído?
A liberdade de manifestação é um direito garantido
pela Constituição Federal. Entretanto, esse direito não autoriza ninguém a
destruir bens públicos, ameaçar adversários políticos ou transformar as ruas em
cenário de vandalismo.
O episódio também exige uma posição firme das
lideranças políticas que apoiaram a mobilização. Não basta defender a
democracia nos discursos. É necessário condenar publicamente qualquer prática
de violência, independentemente de quem a cometa.
A crítica é ainda mais contundente quando se observa
que setores políticos frequentemente cobram punições rigorosas para atos de
depredação praticados por adversários. A lei não pode ter dois pesos e duas
medidas: quem destrói patrimônio público deve responder pelos seus atos, seja
de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política.
O Brasil não precisa de uma democracia seletiva, na
qual o vandalismo é condenado quando praticado por opositores e relativizado
quando envolve simpatizantes do próprio grupo político.
Também é importante que as autoridades identifiquem
individualmente os responsáveis pelos danos, sem atribuir automaticamente a
todos os participantes a responsabilidade pelas ações de alguns.
Democracia não combina com ameaças, depredação ou
intimidação. Quem realmente defende a democracia precisa demonstrar respeito às
instituições, ao patrimônio público e, sobretudo, às leis brasileiras.
O Brasil precisa de reforço urgente dos EUA.
A população merece respostas, identificação dos
responsáveis e esclarecimentos sobre os prejuízos provocados.
Focoelho




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