O Brasil voltou à posição de devedor externo líquido
após 19 anos, com o endividamento do país superando o volume de reservas
internacionais.
A dívida externa subiu 27,4% no atual governo do
presidente Lula, acima do aumento de 15,8% das reservas, cuja evolução foi
contida por intervenções do BC e pela valorização cambial.
Dados do Banco Central, divulgados pelo
Estadão/Broadcast, mostram que a dívida externa chegou a US$ 407,1 bilhões em
junho, enquanto as reservas e os créditos brasileiros no exterior somaram US$
402 bilhões.
A diferença deixou o país com uma dívida externa
líquida de US$ 5,1 bilhões, encerrando o período em que mantinha posição de
credor internacional, entre 2007 e 2025. O endividamento bruto atingiu o maior
nível em 40 anos de estatísticas.
Economistas e agências de classificação de risco não
veem motivo para preocupação imediata, mas alertam para possíveis
vulnerabilidades caso o déficit em transações correntes continue elevado e
ocorram saídas expressivas de dólares. Analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast
consideram possível que a dívida líquida chegue a US$ 30 bilhões nos próximos
dois anos.
Um dos fatores de pressão é o aumento do déficit nas
transações correntes, que inclui o comércio de bens e serviços e as
transferências de renda ao exterior. Em 2025, o saldo negativo chegou a US$
67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados em 2023.
Embora o investimento estrangeiro direto continue
financiando esse déficit, a margem de segurança diminuiu. Em 2025, os
investimentos superaram o saldo negativo das transações correntes em US$ 17,6
bilhões, ante mais de US$ 38 bilhões em 2023. Em 2024, essa diferença ficou
abaixo de US$ 9 bilhões.
Com informações de Estadão


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