Com as atenções voltadas para o Senado Federal, que
acabou de aprovar o fim da escala 6x1, a oposição elevou uma antiga pauta da
sociedade e tenta, com base no clamor popular, aprová-la: a redução da
maioridade penal. A proposta foi apresentada por meio de emenda do
senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador
da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, apresentou nesta quarta-feira (14).
A proposta é, basicamente, o que foi apresentada por
Flávio em 2019. A iniciativa coloca o governo Lula diante de uma decisão
política: apoiar o endurecimento da legislação contra autores de crimes graves
ou rejeitar uma medida defendida pela maioria dos brasileiros.
A emenda foi apresentada à PEC 18/2025, cuja votação
foi concluída nesta quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça do
Senado. A proposta segue agora para análise do plenário. Para Marinho, a pressa
do governo em aprovar mudanças na segurança pública, faltando apenas 11 dias
para o segundo turno das eleições presidenciais, contrasta com a falta de
avanço de propostas de endurecimento penal que tramitam há anos no Congresso.
O texto de Marinho reproduz o conteúdo da PEC
32/2019, de autoria de Flávio Bolsonaro, que reduz a maioridade penal de 18
para 16 anos e estabelece a responsabilização penal a partir dos 14 anos para
crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em
organizações ou associações criminosas, além de outros crimes definidos em lei.
A proposta apresentada por Flávio em março de 2019
continua em tramitação no Senado e, segundo o registro oficial da Casa, aguarda
designação de relator. Para a oposição, a demora evidencia a resistência
política enfrentada por iniciativas destinadas a endurecer a responsabilização
por crimes graves.
Flávio Bolsonaro desafiou Lula e o PT a
demonstrarem, na prática, seu compromisso com o enfrentamento da criminalidade.
"Agora que Lula resolveu falar de segurança
pública, faltando 11 dias para a eleição, vamos colocar as propostas na mesa. A
nossa está apresentada desde 2019. É um compromisso que está no meu plano de
governo. Quero ver Lula e o PT votarem a favor de uma punição mais dura para
quem comete crimes hediondos, estupra, mata e aterroriza famílias brasileiras.
Chega de discurso. Vamos ver quem, de fato, quer combater o crime",
afirmou Flávio.
Marinho também criticou o histórico de declarações
do presidente Lula sobre a criminalidade. Em outubro de 2025, o petista afirmou
que traficantes seriam "vítimas dos usuários", declaração da qual
posteriormente se retratou. Em maio deste ano, ao contestar a classificação de
facções brasileiras como organizações terroristas internacionais pelos Estados
Unidos, Lula manifestou tristeza com a decisão e utilizou a expressão
"nossos criminosos".
"Lula já disse que os traficantes são vítimas
dos usuários. Quando os Estados Unidos decidiram classificar PCC e Comando
Vermelho como terroristas, ficou indignado com a decisão e falou em 'nossos
criminosos'. Seus criminosos, Lula. Nós temos uma visão muito diferente sobre
segurança pública. Vamos endurecer com o crime, vamos radicalizar no
enfrentamento daqueles que aterrorizam a população. A prioridade do Estado
precisa ser proteger as famílias brasileiras, e não encontrar justificativas
para quem pratica crimes", declarou Marinho.
"O crime cometido por um menor de idade não é
um crime menor. A dor de uma mãe que perde um filho assassinado é a mesma,
independentemente da idade do criminoso. Quem tem maturidade para planejar e
executar um homicídio ou cometer um estupro precisa ter maturidade para
responder penalmente pelos seus atos. Não podemos permitir que a idade seja
utilizada pelas facções como instrumento de impunidade", acrescentou Flávio.
A emenda estabelece uma diferenciação conforme a
gravidade do delito. A regra geral passa a ser a responsabilização penal a
partir dos 16 anos, com antecipação para os 14 anos em determinadas modalidades
criminosas consideradas especialmente graves.
Na justificativa, Marinho cita pesquisa Datafolha de
junho de 2026 segundo a qual 79% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade
penal. O senador argumenta que a mudança atende a uma demanda da sociedade por
maior rigor na responsabilização de autores de crimes violentos.
Ao apresentar a emenda, a oposição procura levar
para a votação da PEC da Segurança Pública uma proposta concreta que permita
avaliar o posicionamento dos parlamentares sobre o endurecimento penal.
"Se o governo realmente quer enfrentar o crime
organizado, terá a oportunidade de demonstrar isso com seu voto. Não basta
apresentar uma PEC às vésperas das eleições e fazer promessas. É preciso ter
coragem para mudar a legislação e enfrentar aqueles que transformaram
comunidades inteiras em territórios de medo. Nossa proposta está sobre a mesa.
Vamos ver quem está do lado da população e quem vai se recusar a endurecer as
penas", concluiu Rogério Marinho.

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