Na reta final da disputa presidencial, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentam
um obstáculo adicional: manter os eleitores mobilizados em Estados onde as
eleições estaduais já foram encerradas e onde o histórico aponta um crescimento
médio da abstenção no segundo turno.
Um total de 21 governadores foi eleito logo na
primeira rodada, estabelecendo um recorde desde a redemocratização. Esse grupo
abrange São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três principais colégios
eleitorais do país, além de oito dos nove estados nordestinos. Juntas, essas 20
unidades respondem por aproximadamente 84% do eleitorado nacional.
O desafio ganha peso redobrado considerando que mais
de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno, o maior
patamar absoluto de ausências registrado em uma eleição geral. Esse contingente
de abstenções torna-se ainda mais crítico diante da vantagem estreita de apenas
1,87 ponto porcentual entre os candidatos, a menor diferença já observada entre
os dois primeiros colocados em um primeiro turno presidencial. Flávio liderou a
etapa inicial com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Cientistas políticos ouvidos pelo jornal Estadão apontam
que o encerramento antecipado das disputas para o governo estadual gera um
impacto duplo sobre as campanhas. Sem uma corrida eleitoral própria para o
governo pela frente, o incentivo para prefeitos, deputados e lideranças locais
manterem suas bases estruturadas e ativas tende a diminuir. Por outro lado, os
governadores já vitoriosos ficam desobrigados de suas próprias campanhas,
ganhando margem para canalizar suas redes políticas em prol da disputa
nacional.
Diante desse cenário, as duas campanhas buscam
alternativas estratégicas distintas para impedir a desmobilização nesses
Estados e assegurar que as estruturas permaneçam ativas até o desfecho do
pleito.
Histórico aponta alta abstenção
O histórico das eleições presidenciais fundamenta a
preocupação das equipes de campanha. Um levantamento do Estadão sobre
os pleitos realizados desde 2002 demonstra que, atribuindo o mesmo peso a cada
Estado, a média de abstenção nas unidades que já haviam definido seus
governadores subiu de 19,1% no primeiro turno para 22,4% no segundo, o que
representa um acréscimo médio de 3,4 pontos porcentuais. O índice mais
expressivo da série ocorreu em 2002, quando a taxa disparou de 20% para 26,1%,
configurando uma variação de 6,1 pontos.
Com informações do Estadão

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