Integrantes do
Ministério Público Federal relataram à CNN haver nas últimas 48 horas na
categoria constrangimento e perplexidade com as menções do procurador-geral da
República, Paulo Gonet, no relatório da Polícia Federal sobre a relação do
ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro
e também com a forma como o PGR vem atuando desde então.
A notícia é da CNN
Brasil. Gonet apareceu no documento em mensagens trocadas entre o advogado de
Vorcaro Ciro Passos com o banqueiro, com menções que sugerem intimidade dele
com o então dono do banco Master como passagens aéreas internacionais ao seu
filho, combinações para fumar charuto e tomar whisky Macallan e até mesmo o
envio de uma foto de Ciro e Gonet a ele.
Segundo relatos
colhidos pela CNN, nos grupos internos do MPF paira o silêncio, em razão de uma
medida baixada neste ano pela gestão Gonet e revelada pela CNN que, de acordo
com procuradores, levou ao silenciamento da categoria.
A crítica vai desde o
grau de intimidade revelada pelas mensagens que Gonet teria com Vorcaro usando
como intermediário o advogado do banqueiro, apontado por integrantes do MPF
como um conhecido lobista que frequenta muitos eventos em que Gonet está.
A leitura é de que,
ainda que seja dado um benefício da dúvida grande a Gonet pelo fato de, na
época das mensagens, o caso Master ainda não ter estourado, a proximidade foi
um erro de Gonet que compromete o princípio basilar da carreira: a
independência.
A postura de Gonet de
atuar rapidamente para contestar o relatório da Polícia Federal que expôs
Moraes e ele mesmo também foi criticada. O procurador-geral demorou poucas
horas para pedir o arquivamento quando o prazo era de cinco dias.
Fez o mesmo para pedir
o arquivamento de denúncias feitas por Vorcaro em depoimento ao ministro do
Supremo Tribunal Federal.
O caso despertou entre
procuradores influentes uma operação, ainda incipiente, para que o próximo
presidente da República escolha o próximo procurador-geral da República a
partir de uma lista tríplice elaborada por procuradores.
O formato, nunca
institucionalizado legalmente, vigorou até 2019, quando Jair Bolsonaro rompeu a
tradição e escolheu Augusto Aras para o cargo e depois o renomeou. Lula fez o
mesmo em 2023 ao escolher Paulo Gonet e o renomeá-lo depois para um segundo
mandato também.
Tanto um quanto outro
foram escolhidos a partir de acordos que passaram pelo Congresso Nacional e
pelo Supremo Tribunal Federal, o que, para procuradores, compromete diretamente
a função constitucional de um procurador-geral da República: independência para
investigar.
Gonet já é visto como
muito alinhado aos ministros da Corte Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e,
portanto, segundo procuradores, sem capacidade de agir com independência na
atual crise.
Integrantes do MPF
lembram que o próprio processo político de escolha de Gonet passou pelos dois
ministros da Corte, uma vez que ambos foram consultados pelo presidente Lula
acerca de seu nome. O que torna difícil, no cenário atual, Gonet abrir
eventualmente uma investigação contra Moraes.
A ideia na categoria
agora é esperar o processo decantar, mas já em algumas semanas voltar a
defender que a lista tríplice da categoria seja respeitada pelo próximo
presidente. A ideia é defender a aprovação de uma PEC no Congresso que
constitucionalize a lista. Gonet fica no cargo até dezembro de 2027.
A CNN procurou Gonet
por meio de sua assessoria mas ele não se manifestou. Ele também não divulgou
publicamente qualquer nota sobre sua relação com Vorcaro e com o advogado Ciro
Passos.

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