segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Prepare o bolso: Feijão pode chegar a R$ 12 o quilo em 2027

 


O feijão chegou a setembro em uma situação incomum. Está caro no campo, continua subindo e, ainda assim, não consegue convencer o produtor a plantar mais. As primeiras indicações para a safra 2026/27 apontam redução da área em regiões importantes. Como consequência, o consumidor pode ver o quilo do feijão-carioca próximo a R$ 12 em algumas regiões em fevereiro, patamar recorde, segundo avaliação do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses).

A notícia é da CNN Brasil. A alta no campo ganhou velocidade nas últimas semanas. De acordo com Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe, há negócios acima de R$ 310 a saca, registrando aumentos de R$ 10 a R$ 15 em intervalos de três ou quatro dias. "E o mercado não dá, por enquanto, sinais claros de que tenha encontrado um teto", afirma à CNN.

O movimento chama atenção pelo momento do ano. A terceira safra, cuja colheita se concentra entre junho e agosto em diferentes regiões, normalmente acrescentaria oferta ao mercado e abriria espaço para alguma acomodação das cotações. Desta vez, porém, essa oferta chega a um mercado que já vinha de preços elevados.

“Os preços partiram de patamares altos, não temos estoque", afirma.

Há outro detalhe nessa conta: o feijão que poderia permanecer armazenado está encontrando comprador. "Com preços remuneradores, o produtor tem pouco incentivo para carregar o produto. Vende, recebe e reduz a exposição aos custos e riscos de armazenagem."

A consequência é que o mercado atravessa setembro com estoques mais baixos justamente quando deveria começar a construir uma ponte para os primeiros meses de 2027.

Preço do feijão segue em movimento de alta gradual, diz Cepea

Mesmo diante desse cenário, Lüders afirma que não há sinais de aumento de área de plantio em 2026/27.  No Paraná, um dos principais produtores, o Ibrafe estima que a primeira safra da leguminosa possa ocupar cerca de 90 mil hectares, na comparação 104 mil hectares no ciclo anterior. Se confirmado, seria o menor nível desde 2015/16.

O dado ainda não permite projetar sozinho o comportamento da área brasileira, porque faltam informações consolidadas de outros estados. Mas é um sinal eloquente sobre a decisão do agricultor, mesmo com o feijão valorizado, a cultura não está recebendo uma resposta proporcional em área.

A explicação passa pela soja. Na referência utilizada pelo Ibrafe, duas sacas de soja equivalem aproximadamente a uma saca de feijão. Com a soja a R$ 152 por saca, a conta colocaria o feijão em torno de R$ 304 para remunerar o produtor. O carioca chegou justamente a uma faixa próxima desse valor em setembro.

 

 

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