O feijão chegou a setembro em uma situação incomum.
Está caro no campo, continua subindo e, ainda assim, não consegue convencer o
produtor a plantar mais. As primeiras indicações para a safra 2026/27 apontam
redução da área em regiões importantes. Como consequência, o consumidor pode
ver o quilo do feijão-carioca próximo a R$ 12 em algumas regiões em fevereiro,
patamar recorde, segundo avaliação do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e
Pulses).
A notícia é da CNN Brasil. A alta no campo ganhou
velocidade nas últimas semanas. De acordo com Marcelo Lüders, presidente do
Ibrafe, há negócios acima de R$ 310 a saca, registrando aumentos de R$ 10 a R$
15 em intervalos de três ou quatro dias. "E o mercado não dá, por
enquanto, sinais claros de que tenha encontrado um teto", afirma à CNN.
O movimento chama atenção pelo momento do ano. A
terceira safra, cuja colheita se concentra entre junho e agosto em diferentes
regiões, normalmente acrescentaria oferta ao mercado e abriria espaço para
alguma acomodação das cotações. Desta vez, porém, essa oferta chega a um
mercado que já vinha de preços elevados.
“Os preços partiram de patamares altos, não temos
estoque", afirma.
Há outro detalhe nessa conta: o feijão que poderia
permanecer armazenado está encontrando comprador. "Com preços
remuneradores, o produtor tem pouco incentivo para carregar o produto. Vende,
recebe e reduz a exposição aos custos e riscos de armazenagem."
A consequência é que o mercado atravessa setembro
com estoques mais baixos justamente quando deveria começar a construir uma
ponte para os primeiros meses de 2027.
Preço do feijão segue em movimento de alta gradual,
diz Cepea
Mesmo diante desse cenário, Lüders afirma que não há
sinais de aumento de área de plantio em 2026/27. No Paraná, um dos
principais produtores, o Ibrafe estima que a primeira safra da leguminosa possa
ocupar cerca de 90 mil hectares, na comparação 104 mil hectares no ciclo
anterior. Se confirmado, seria o menor nível desde 2015/16.
O dado ainda não permite projetar sozinho o
comportamento da área brasileira, porque faltam informações consolidadas de
outros estados. Mas é um sinal eloquente sobre a decisão do agricultor, mesmo
com o feijão valorizado, a cultura não está recebendo uma resposta proporcional
em área.
A explicação passa pela soja. Na referência
utilizada pelo Ibrafe, duas sacas de soja equivalem aproximadamente a uma saca
de feijão. Com a soja a R$ 152 por saca, a conta colocaria o feijão em torno de
R$ 304 para remunerar o produtor. O carioca chegou justamente a uma faixa
próxima desse valor em setembro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário