O texto é da coluna de Mario Sabino, do
Metrópoles:
O fotógrafo Brenno Carvalho fez a imagem que
sintetiza o grau de degradação moral do STF. No intervalo da sessão de ontem,
ele flagrou Alexandre de Moraes, no cafezinho do tribunal, gargalhando em um
grupo do qual faziam parte Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin.
Talvez a piada fosse mesmo engraçada, mas a questão
é outra: como alguém pode fazer piada neste momento no STF?
A gargalhada de Alexandre de Moraes, de um
histrionismo que mostra que o valentão tem certeza de que sairá impune, é
sintomática de um Supremo que perdeu qualquer traço de compostura e de respeito
pelos cidadãos.
A verdadeira piada somos nós, e não há dúvida de que
viramos literalmente os bobos da Corte.
Eles desmandam, e nós somos obrigados a obedecer por
força da Constituição que os próprios ministros desrespeitam; eles se metem com
patifes, e nós não podemos ir além dos resmungos ou somos processados; eles
interferem no processo eleitoral, e não temos instrumentos para impedi-los de
fazer isso.
O ovo da serpente foi chocado, repita-se, quando o
país aceitou que o STF violasse a Constituição a pretexto de defendê-la, como
se os limites constitucionais não fossem suficientes para impedir avanços
autoritários, aliás indevidamente aumentados para parecer mais ameaçadores do
que eram.
Substituiu-se a fantasia autoritária pela realidade
autoritária.
Nasceu o “defensor da democracia” que prende,
intimida e amordaça, sem quaisquer limites para o exercício da sua truculência
natural, porque protegido pelos pares que a ele se associaram na orgia
despótica e por uma imprensa cúmplice na sua ingenuidade, pecado jornalístico
só não maior do que a venalidade.
Nasceu o amigo de Daniel Vorcaro, fraudador do clube
do charuto, do whisky Macallan e das prostitutas de luxo, que presenteou a
família Moraes com um contrato de R$ 131 milhões, cartões de crédito com
limites estratosféricos, “experiências vip” e proposta de sociedade em jato
particular. Mas nada disso, claro, tem importância para o PGR amigão.
Nasceu o político que, sob a cobertura da toga,
articula a sua blindagem com o presidente da República e com os presidentes do
Senado e da Câmara para que o país continue sob o seu cabresto.
Somos os bobos da Corte, como não rir de tantos
palhaços?
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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