A área da saúde volta a produzir questionamentos
sobre a administração de Allyson Bezerra em Mossoró. Desta vez, o foco está na
contratação do laboratório privado Lablan, que, segundo informações
apresentadas nas redes sociais pela jornalista Joyce Moura, recebeu
aproximadamente R$ 1,897 milhão do Fundo Municipal de Saúde para realização de
exames laboratoriais.
O Lablan foi contratado pela Prefeitura de Mossoró
por meio de inexigibilidade, dentro de um processo de credenciamento para
realização de exames laboratoriais. É importante ressaltar que a
inexigibilidade, por si só, não caracteriza qualquer ilegalidade. O que chama
atenção e exige esclarecimentos é o conjunto da situação: um laboratório
privado com capital social informado de R$ 50 mil teria recebido
aproximadamente R$ 1,897 milhão do Fundo Municipal de Saúde, enquanto os
pagamentos mensais cresceram de pouco mais de R$ 6 mil, em fevereiro de 2025,
para cerca de R$ 205 mil em julho de 2026, ao mesmo tempo em que a estrutura
laboratorial pública enfrentava dificuldades por falta de insumos.
Um dos números que mais chama atenção é a evolução
dos pagamentos. Conforme os dados apresentados pela jornalista, em fevereiro de
2025 a fatura teria sido de pouco mais de R$ 6 mil. Em julho de 2026, chegou a
aproximadamente R$ 205 mil em um único mês — um crescimento de cerca de 34
vezes. O laboratório teria capital social declarado de R$ 50 mil.
Enquanto os pagamentos ao laboratório privado
aumentavam, a estrutura pública do PAN do Bom Jardim enfrentava situação
inversa. Apesar de contar, segundo a reportagem, com 15 bioquímicos efetivos, a
unidade teria chegado a disponibilizar apenas quatro tipos de exames em razão
da falta de insumos. O contraste entre a perda de capacidade da rede pública e
o crescimento da contratação privada passou a despertar questionamentos.
O assunto ganhou dimensão ainda maior porque o
Ministério Público instaurou inquérito civil para apurar possível
desmantelamento ou sucateamento das atividades laboratoriais do PAN do Bom
Jardim e verificar se teria ocorrido transferência indevida de demanda para
laboratórios privados e conveniados. A existência da investigação não
significa, por si só, que as suspeitas estejam comprovadas.
Outro ponto relatado por Joyce Moura é que uma nota
fiscal da Lablan emitida contra a Prefeitura de Mossoró teria aparecido entre
documentos apreendidos pela Polícia Federal no contexto da Operação Mederi.
Isso também não significa que o laboratório tenha participado de qualquer
esquema: segundo a própria narrativa apresentada, a empresa não é apontada
nominalmente como investigada ou alvo da operação.
A defesa de Allyson Bezerra sustenta que as
contratações eram descentralizadas e de responsabilidade dos respectivos
secretários. Ainda assim, politicamente permanece uma questão que deverá
acompanhar o candidato ao Governo do Estado: por que a capacidade do
laboratório público teria diminuído justamente enquanto os pagamentos à rede
privada cresciam?
São perguntas que agora dependem das investigações
para respostas definitivas. Mas, no terreno político, o episódio acrescenta
mais um problema relacionado à saúde à campanha de Allyson Bezerra. As
informações e questionamentos apresentados nesta nota têm como base a narrativa
divulgada pela jornalista Joyce Moura.

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