A decisão do ministro Kassio Nunes Marques de se
declarar impedido no julgamento sobre Alexandre de Moraes favorece o colega e
fragiliza o relator do caso Master, André Mendonça. Na prática, o afastamento
de Kassio do julgamento faz com que Mendonça perca um aliado na sessão que vai
decidir se abre ou não uma investigação contra Moraes por conta do relatório da
Polícia Federal que detectou 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
“Nunca troquei mensagem, não há registro de mensagem
minha com Daniel Vorcaro. No entanto, entendo que tenho uma missão constituída
pela Constituição Brasileira e que até agora tem sido confiada por Deus… Eu
entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio das
eleições de 2026, que é daqui a 18 dias. Na condição de presidente do TSE não
me sinto confortável para participar do julgamento", disse Nunes Marques.
Conforme revelou o Estadão, o Banco Master enviou R$
6,6 milhões à Consult, empresa de consultoria que fez pagamentos entre agosto
de 2024 e julho de 2025 ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as
movimentações do Master identificou 11 transferências para Kevin, que totalizam
R$ 281,6 mil.
Há seis meses Kassio segura uma ação no Supremo que
cobra a instalação da CPI do Master. Apesar da morosidade do magistrado para
decidir, há sólida jurisprudência do STF a favor da instalação das comissões
quando o requerimento para a criação desse tipo de colegiado supera o mínimo de
assinaturas necessárias.

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