Cerca de R$ 36 bilhões estão previstos no Orçamento
de 2027 para empresas estatais federais que dependem de recursos do Tesouro
Nacional. O valor representa alta de 2,2% em relação a 2026, abaixo da inflação
projetada para o período.
Entre as empresas estão a Embrapa, que receberá
cerca de R$ 5,9 bilhões, além de estatais menos conhecidas, como Imbel, Nuclep
e Amazul, ligadas às áreas de defesa e tecnologia nuclear. Juntas, elas
empregam cerca de 4,5 mil pessoas.
A maior parcela dos recursos, cerca de 55%, será destinada
a estatais da área de saúde, como a Empresa Brasileira de Serviços
Hospitalares, o Grupo Hospitalar Conceição e o Hospital de Clínicas de Porto
Alegre.
A Infra S.A., responsável por projetos e
planejamento no setor de transportes, terá R$ 849 milhões. Já a Codevasf
(Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) contará
inicialmente com R$ 1,1 bilhão, valor que pode crescer durante a tramitação do
Orçamento por meio de emendas parlamentares.
Também estão previstos R$ 90 milhões para a Ceitec,
reativada pelo governo e conhecida pelo desenvolvimento do chamado “chip do
boi”; R$ 2,3 bilhões para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e R$
1,1 bilhão para a EBC (Empresa Brasil de Comunicação).
O economista Armando Castelar, do FGV Ibre, afirmou
que os gastos dessas empresas disputam espaço com outras despesas do Orçamento
e contribuem para o déficit e o aumento da dívida. O professor Sérgio
Lazzarini, do Insper, defendeu a revisão das atribuições das estatais e a
avaliação da finalidade pública de cada empresa.
O Ministério da Gestão e Inovação disse que as
estatais dependentes atuam em áreas estratégicas e na execução de políticas
públicas, muitas delas de forma gratuita. A pasta também diz que desde 2023
avalia formas de reduzir a dependência de empresas que tenham condições de
sustentar suas próprias operações.

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