O dono de uma ONG que recebeu R$ 5,6 milhões do
governo federal está por trás de uma estrutura de campanha à reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que inclui ações online e presenciais
em todos os Estados. A iniciativa conta com participação direta de servidores
do Ministério da Cultura (MinC) e ainda se mistura com integrantes dos chamados
Pontos de Cultura, estruturas expandidas na gestão petista para estimular ações
culturais.
O chamado Movimento Cultura com Lula é liderado por
João Paulo Mehl, do PT do Paraná, e usa a infraestrutura tecnológica da Rede
Livre, que conta com mais de mil blogs e influenciadores governistas. Essa rede
é uma iniciativa privada que engloba outros parceiros, inclusive empresas como
a Ethymos, do próprio Mehl
O secretário-executivo do Ministério da Cultura,
Márcio Tavares, é o coordenador-geral do Movimento Cultura com Lula. A
iniciativa eleitoral também conta com Roberta Malvão, coordenadora-geral dos
escritórios estaduais do ministério.
A legislação exige que todos os sites oficiais
usados por um candidato sejam declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e
que todos os serviços prestados sejam detalhados na prestação de contas, ainda
que voluntários. As páginas e perfis usados pelo Cultura com Lula não estão
registrados e não aparecem na prestação de contas oficial.
Segundo os organizadores, trata-se de uma ação
espontânea e voluntária, sem relação com o projetos bancados por verba pública
do governo federal e sem relação com a campanha oficial de Lula. Portanto, não
haveria necessidade de registro no TSE.
A assessoria da campanha do petista afirmou que “o
Movimento Cultura com Lula não faz parte da campanha oficial do presidente à
reeleição”.
Estadão

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