Três eurodeputados enviaram nesta segunda-feira (21)
uma carta à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros
e a Política de Segurança, Kaja Kallas, pedindo que o bloco avalie a
possibilidade de aplicar sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Os signatários são Adam Bielan e Mariusz Kamiński,
da Polônia, e Carlo Fidanza, da Itália.
No documento, eles solicitam que o Serviço Europeu
para a Ação Externa analise alegações sobre a atuação de Moraes e decisões do
Supremo em processos considerados “politicamente sensíveis”. Entre os pontos
citados estão possíveis violações à liberdade de expressão, às garantias do
devido processo legal, ao pluralismo político e a outros direitos fundamentais.
Os parlamentares afirmam que meras manifestações de
preocupação não bastam e pedem “medidas concretas”. Pedem ainda que a UE
verifique se a conduta atribuída a Moraes justificaria medidas restritivas
previstas no regime europeu de sanções por violações de direitos humanos. A
carta faz referência aos fundamentos usados pelos Estados Unidos para aplicar
sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky Global — punições que, segundo
outras reportagens, foram posteriormente retiradas. Qualquer eventual medida,
segundo os autores, deveria depender de “evidências críveis” de
responsabilidade por violações graves.
Banco Master e questionamentos de imparcialidadeOs
eurodeputados mencionam informações que, segundo eles, teriam surgido de uma
investigação da Polícia Federal. Citam alegações de contatos entre Moraes e
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e um contrato entre o banco e o
escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O
acordo previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de R$ 130 milhões em 36
meses. O escritório declarou que prestou serviços de consultoria jurídica e que
não atuou em causas da instituição no STF.
Na carta, esses fatos são relacionados à atuação de
Moraes nos processos que resultaram na condenação do ex-presidente Jair
Bolsonaro. Os parlamentares argumentam que as revelações levantam “sérias
questões sobre a imparcialidade judicial” e justificariam um exame independente
e transparente. O documento trata as informações como alegações, sem concluir
que houve irregularidade.
Pedido de monitoramento das eleiçõesAlém das
sanções, os três deputados pedem acompanhamento “particularmente rigoroso e
independente” do processo eleitoral brasileiro de outubro. Querem que a União
Europeia use instrumentos diplomáticos e de observação para verificar se a
eleição ocorre de forma livre, justa e transparente, incluindo o ambiente
eleitoral, o tratamento a candidatos, o acesso à mídia, eventuais restrições ao
discurso político, remoção de conteúdo, decisões judiciais que afetem
campanhas, o funcionamento dos sistemas de votação e a correspondência entre
votos e resultados anunciados.
A iniciativa é de um grupo pequeno de parlamentares
de direita e não representa posição oficial da União Europeia. Pedidos
semelhantes, feitos por um grupo maior de 16 eurodeputados em julho de 2025,
não resultaram em sanções do bloco.
DIÁRIO DO PODER

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