Uma sequência de acontecimentos nos últimos dias
levanta questionamentos sobre uma possível relação entre o recado enviado por
Daniel Vorcaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) — noticiado pela revista Veja
em 18 de setembro — e o vazamento, dias depois, de imagens que atingem
diretamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro
Alexandre de Moraes.
A ameaça revelada pela Veja
No dia 18 de setembro, a coluna Radar, da revista
Veja, publicou que Daniel Vorcaro, preso desde março no âmbito da Operação
Compliance Zero, teria enviado um recado ao STF ameaçando "explodir"
fatos sobre ministros da Corte caso seu pai, Henrique Vorcaro — preso há mais
de 90 dias e alegando sofrer de diverticulite —, não fosse colocado em
liberdade para tratamento de saúde.
Segundo relato atribuído a um interlocutor da
defesa, o ex-banqueiro se dizia "abandonado para morrer na prisão" e
não confiava que a PGR, a Polícia Federal e parte do STF ofereceriam condições
independentes para uma eventual delação premiada. Vorcaro alegaria possuir
fotos, recibos de pagamentos e outros documentos capazes de desmentir o
"distanciamento" público declarado por autoridades ligadas ao STF, à
PGR e à PF.
Os vazamentos que vieram depois
Menos de uma semana após a publicação da Veja, o
cenário descrito na reportagem passou a se materializar. No dia 18, o jornal O
Globo revelou que uma foto encontrada pela Polícia Federal no celular de
Vorcaro mostrava o procurador-geral Paulo Gonet ao lado do banqueiro durante
uma degustação de charutos e uísque em Londres, em abril de 2024 — episódio que
contradiz declarações de Gonet de que o contato com Vorcaro teria sido
"brevíssimo e banal".
Dois dias depois, em 20 de setembro, novo material
veiculado pela coluna do jornalista Lauro Jardim, também de O Globo, mostrou um
vídeo do ministro Alexandre de Moraes e da esposa, Viviane Barci de Moraes,
desembarcando de um jatinho Legacy 650 ligado a uma empresa de Vorcaro, no
Aeroporto Santos Dumont. A imagem contradiz nota oficial emitida pelo gabinete
de Moraes em abril, que afirmava categoricamente que o ministro "jamais
viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro".
A coincidência que chama atenção
A sequência cronológica não passou despercebida:
primeiro veio o aviso, relatado pela Veja, de que Vorcaro possuía material
capaz de contrariar versões oficiais de distanciamento; na sequência, vieram à
tona justamente as provas que desmentem essas versões — envolvendo,
coincidentemente, duas das principais autoridades citadas na reportagem
original: o procurador-geral da República e um ministro do STF.
Até o momento, não há confirmação oficial de que os
vazamentos tenham relação direta com a ameaça relatada pela Veja, e as
informações sobre o suposto acervo de provas de Vorcaro seguem sem verificação
independente completa. Mas a proximidade temporal entre o aviso e a divulgação
do material reforça a tese, já especulada por interlocutores do caso, de que o
banqueiro estaria de fato utilizando informações sensíveis como moeda de
pressão sobre autoridades — com o objetivo declarado de obter a soltura do pai.
O STF ainda não se manifestou sobre a articulação
entre os episódios, e a defesa de Vorcaro não confirma publicamente qualquer
estratégia de divulgação gradual de provas.

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