A campanha de Samanda Alves (PT) a deputada federal
pagou R$ 36 mil do Fundo Eleitoral a Marina Melo Alves Siqueira em 9 de
setembro de 2022. Na prestação de contas, ela aparece como “administradora
financeira”. Na folha da Potigás daquele mesmo mês, Marina constava como
“Diretor Presidente — Ativo”. Ela comandava a companhia de gás do RN, por
indicação da própria Samanda, desde maio de 2022.
Em novembro de 2025, Marina foi reconduzida à
presidência da Potigás para um segundo mandato, por indicação do Governo do
Estado, que é acionista da companhia. A Lei das Estatais veda a indicação para
a diretoria de quem tenha trabalhado, nos 36 meses anteriores, na organização,
estruturação ou realização de campanha eleitoral.
Entre o pagamento de setembro de 2022 e a recondução
passaram-se cerca de 38 meses. Já a prestação final de contas foi entregue em
30 de novembro de 2022, menos de 36 meses antes da recondução.
Marina não foi a única pessoa ligada à campanha de
2022 a chegar à Potigás. A empresa de Laíssa da Costa Ferreira recebeu R$ 100
mil da mesma campanha quando ela era subsecretária do Gabinete Civil do Governo
do Estado.
Em fevereiro de 2023, Laíssa deixou o governo e
assumiu a gerência de comunicação da estatal presidida por Marina. Depois, sua
empresa recebeu R$ 87 mil da cota parlamentar de Samanda na Câmara de Natal e
foi contratada por R$ 150 mil pela campanha da petista ao Senado.
Os vínculos levantam perguntas que ainda precisam de
resposta: que serviço Marina prestou à campanha enquanto presidia a Potigás e
em que horário fez esse trabalho? O comitê responsável por avaliar a
elegibilidade dos dirigentes da estatal examinou essa atuação antes da
recondução de 2025? Laíssa trabalhou para a campanha de 2022 durante o
expediente no governo? Como foi contratada pela Potigás e está licenciada da
estatal enquanto atua na campanha de 2026?
Blog do BG

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