Os ministros do STF passaram a restringir o acesso
aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em meio à crise
envolvendo o Banco Master. O material, enviado pela Polícia Federal, tem cerca
de 500 GB e reúne mensagens, áudios, documentos e registros de atividades do
aparelho.
A análise busca identificar informações relevantes e
eventuais lacunas nos relatórios produzidos pela PF. Segundo relatos, os
ministros ainda não definiram quais serão os próximos passos nem estabeleceram
prazo para concluir a avaliação.
A PF informou que utilizou ferramentas
especializadas para copiar, recuperar e organizar os dados, inclusive
informações apagadas ou protegidas por senha. As cópias foram encaminhadas a
Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e
Nunes Marques. A corporação afirmou que os arquivos são idênticos à extração
original, que permanece sob cadeia de custódia.
O acesso ao conteúdo ocorreu após uma disputa entre
ministros pelo espelhamento integral do aparelho. Zanin e Gilmar haviam
solicitado acesso a Fachin, enquanto Mendonça, relator dos casos relacionados
ao Master, alertou para possíveis impactos no julgamento.
O celular de Vorcaro foi apreendido em novembro do
ano passado. A extração revelou contatos com autoridades dos Três Poderes e já
serviu de base para operações contra os senadores Ciro Nogueira e Jaques
Wagner.
O conteúdo também colocou Moraes no centro da crise.
Segundo relatório da PF, o ministro trocou 52 mensagens com Vorcaro e teria
participado de tratativas envolvendo um contrato de R$ 130 milhões entre o
Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de
Moraes. A PF também apontou encontros entre os dois e um pedido de ajuda do
banqueiro diante de ações contra o banco.
Moraes classificou as mensagens atribuídas a ele
como fantasiosas e afirmou que nunca favoreceu Vorcaro ou o Banco Master.

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