Cuba recebeu, no primeiro semestre deste ano,
387.591 turistas internacionais, 60,7% a menos do que no mesmo período do ano
anterior, após um mês de junho com apenas 28.100 visitantes, informou nesta
sexta-feira (7) o Escritório Nacional de Estatística e Informação (ONEI).
O turismo, uma das três maiores receitas de Cuba, já
estava em crise desde o início da Covid-19, mas a pressão dos Estados Unidos
desde janeiro acabou por destruir o setor, paralisando a chegada de voos desde
janeiro devido à falta de combustível e levando à saída de redes hoteleiras
estrangeiras da ilha por causa das sanções secundárias.
O governo de Cuba reconheceu em julho que as
pressões dos EUA provocaram a saída do país de sete redes hoteleiras
internacionais que administravam 46% do total de quartos do país (mais de
80.000, segundo dados oficiais), entre elas as redes espanholas Meliá,
Iberostar e Barceló, a canadense Blue Diamond, a indonésia Archipiélago
International e a turca ATG.
De acordo com os números divulgados nesta sexta pelo
ONEI, por país de origem, o Canadá contribuiu, entre janeiro e junho, com
126.937 visitantes, seguido pelos Estados Unidos, com 31.001, e pela Rússia,
com apenas 21.235, o que representa quedas em relação ao mesmo período do ano
anterior de 70,3%, 53,8% e 66,8%, respectivamente.
Outros mercados emissores, como México, Argentina e
China, registram quedas consideráveis de mais de 30% em comparação com o mesmo
período do ano anterior.
Por sua vez, as visitas da comunidade cubana no
exterior, um dos pilares do setor, também caíram significativamente nos
primeiros seis meses do ano, com uma redução de 38,2%, totalizando 74.068
pessoas, segundo a ONEI.
O país insular registrou, em 2025, pouco mais de 1,8
milhão de visitantes estrangeiros, contra a meta do governo de 2,6 milhões. Em
2024, o número chegou a 2,2 milhões e, em 2023, a 2,4 milhões, segundo dados
oficiais.
Os números estão longe dos recordes associados ao
“descongelamento” das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba, que
permitiram a chegada de 4,6 milhões de turistas em 2018 e de 4,2 milhões em
2019, devido à eliminação das restrições impostas por Washington às viagens à
ilha.
Diante dessa situação, o governo cubano aprovou em
junho — como parte do pacote de 176 reformas econômicas que visam
descentralizar e liberalizar a economia da ilha — várias medidas para dinamizar
o setor turístico, entre elas a aprovação de novas modalidades de negócios para
o setor privado, incluindo a gestão de hotéis, o aluguel de automóveis e os
serviços de transporte de passageiros.
O governo também permitirá que o setor privado atue
como agentes de turismo, guias e corretores. Está prevista a implementação de
uma taxa de 1% sobre esses negócios para promover a sustentabilidade e a imagem
dessa atividade econômica.
Pleno News

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