quarta-feira, 5 de agosto de 2026

TANGARÁ: Com frota própria de ônibus, por que a Prefeitura já gastou mais de R$ 1 milhão em locação de veículos de transporte escolar somente em 2026?

 

Uma análise de apenas um empenho no valor de R$ 183 mil revelou a ponta de um iceberg de gastos que já soma mais de R$ 1,2 milhão pagos à mesma empresa de locação — tudo bancado com o dinheiro dos impostos do contribuinte.

 TANGARÁ/RN — O transporte de estudantes da zona rural para a sede do município é um direito garantido por lei e crucial para evitar a evasão escolar. No entanto, a forma como os recursos públicos vêm sendo aplicados pela Prefeitura de Tangará acendeu um sinal de alerta sobre a gestão do dinheiro do contribuinte.

 Ao analisar o Empenho Nº 2026NE401007, emitido pela Secretaria Municipal de Educação em abril deste ano, a reportagem identificou a reserva de R$ 183.602,15 para pagar à empresa Ohana Empreendimentos e Serviços LTDA. O serviço contratado? Locação de 12 ônibus, 3 micro-ônibus e 4 vans — com motorista e combustível — para rodar por quilômetro pago. Avaliou o Blog Tangaraense.

 O valor de um único empenho chama a atenção por si só. Contudo, ao aprofundar a busca no Portal da Transparência, a dimensão do gasto se revela muito maior.

 Mais de R$ 1 Milhão Retirados dos Cofres Públicos em 2026

 O que parecia um contrato isolado desvelou uma soma milionária acumulada em um curto período. Somente entre janeiro e agosto de 2026, a Prefeitura de Tangará contabilizou 11 empenhos em favor da mesma empresa, perfazendo um total astronômico de R$ 1.220.540,89 empenhados — dos quais R$ 1.027.904,09 já foram efetivamente pagos.

 Os recursos saem da Fonte 15001001, destinada ao desenvolvimento do ensino público. Trata-se, em suma, de dinheiro vindo diretamente do bolso de cada cidadão e comerciante de Tangará que paga seus impostos em dia.

 A Pergunta que Não Quer Calar: E a Frota Própria?

 O ponto central e mais estarrecedor dessa conta milionária é a contradição com a realidade patrimonial do município. As prefeituras do interior do Rio Grande do Norte frequentemente recebem reforços e doações de ônibus escolares zero-quilômetro provenientes de programas federais, como o Caminho da Escola (FNDE/MEC), além de convênios estaduais (PETERN).

 Diante dessa infraestrutura que pertence ou deveria pertencer ao patrimônio público:

 Por que a gestão municipal opta por terceirizar montantes tão elevados em locação particular?

 Qual é o estado atual dos ônibus da frota própria do município? Estão encostados, sem manutenção ou sendo subutilizados?

 Por que a contratação da empresa foi feita via "Adesão Pregão" (a famosa "carona" em licitação alheia), em vez de se priorizar uma licitação própria com maior rigor de custos?

 A Exigência de Veículos Antigos

 Outro detalhe intrigante presente no documento analisa o padrão da frota locada: o edital exige veículos com ano de fabricação a partir de 2008 — ou seja, ônibus e vans que podem ter até 18 anos de uso.

 Ao mesmo tempo em que se paga R$ 7,45 por quilômetro rodado nos ônibus e R$ 7,40 nos micro-ônibus, os estudantes podem estar sendo transportados em veículos defasados, enquanto cifras milionárias saem do cofre do município para a iniciativa privada.

 Fiscalização É Necessária

 A análise de apenas um empenho foi o suficiente para abrir uma brecha sobre como os recursos da educação estão sendo geridos em Tangará. Cabe agora aos órgãos de fiscalização — como a Câmara Municipal de Vereadores e o Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) — cobrarem respostas objetivas da prefeitura:

 Onde estão rodando os ônibus próprios do município?

 Qual é a justificativa técnica que comprova a necessidade de gastar mais de R$ 1 milhão em locação privada em poucos meses?

 O espaço deste blog permanece aberto para que a Secretaria Municipal de Educação e a Prefeitura de Tangará prestem os devidos esclarecimentos à população.

 

 


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