A adoção de novas tecnologias e a mudança no modelo
de manejo podem criar condições para duplicar a produção do Distrito de
Irrigação do Baixo-Açu (Diba), em Alto do Rodrigues, nos próximos três anos. O
perímetro produz mais de 90 mil toneladas anuais de frutas e outras culturas e
possui potencial para irrigar mais de 6,3 mil hectares.
A projeção foi apresentada durante a terceira edição
da Frut&Tec, encerrada na última sexta-feira 21. Promovido pelo Sebrae-RN e
pela Associação do Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (Adiba), o encontro
reuniu produtores, técnicos, estudantes, empresas e instituições ligadas à
fruticultura. O aumento da produção depende de um processo organizado de
transição tecnológica. O trabalho envolve diagnóstico das propriedades,
recuperação biológica do solo, melhoria do ambiente das raízes, uso mais
eficiente da água, aplicação de bioinsumos e monitoramento dos resultados.
O agrônomo e consultor do Sebrae-RN Kling Dantas
afirma que a mudança não pode se limitar à substituição de fertilizantes ou
defensivos por novos produtos. O objetivo é alterar a forma como as decisões
são tomadas dentro da propriedade, levando em consideração as condições
específicas do solo, da água e das plantas. “Trabalhando em um horizonte de
três anos, desde que exista um processo organizado de transição tecnológica, o
produtor trabalhando com diagnóstico, recuperação biológica do solo, melhoria
do ambiente radicular, uso mais eficiente da irrigação, bioinsumos,
monitoramento e ajustes contínuos, de maneira correta e adaptada à realidade de
cada área, é perfeitamente plausível imaginar ganhos expressivos de
produtividade e qualidade e, em determinadas situações, até mesmo a
possibilidade de duplicar a produção”, afirma.
O primeiro passo é identificar os fatores que limitam
o desenvolvimento das plantas. A avaliação inclui análises do solo, das folhas,
das raízes e da água, além da verificação de compactação, disponibilidade de
nutrientes, presença de pragas e ocorrência de doenças. Somente depois dessa
etapa são definidos os produtos, as tecnologias e as práticas que serão
adotadas. O processo deve ser acompanhado por avaliações periódicas para
verificar os efeitos das medidas e corrigir o manejo.
Parte das propriedades do Diba ainda utiliza
práticas desenvolvidas ao longo de décadas. Há limitações relacionadas ao
crescimento das raízes, à absorção de nutrientes, à distribuição da água e ao
controle de pragas, com reflexos sobre custos e produtividade. A proposta é
produzir mais com os recursos já disponíveis, reduzindo perdas de água,
fertilizantes e defensivos. Plantas com raízes desenvolvidas e nutrição
equilibrada tendem a aproveitar melhor os insumos e a responder com maior
produção e qualidade. “Não estamos falando simplesmente de substituir um
produto por outro. Estamos falando de mudar o modelo de produção”, diz Kling
Dantas. O secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme
Saldanha, avalia que a disponibilidade de água, a incorporação de tecnologia e
a proximidade dos portos podem ampliar a participação do distrito nos mercados
nacional e internacional. “Estamos com esse incremento de novas empresas, com a
tecnologia. E tem um detalhe importante: quem pensar em exportação está a 300
quilômetros de um porto. Quem está no Vale do São Francisco está mais distante,
e esse custo de logística no Brasil faz toda a diferença”, afirma.

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