A situação financeira das prefeituras do Rio Grande
do Norte começa a acender um sinal de alerta. Enquanto gestores reclamam
constantemente da falta de recursos para manter serviços essenciais, despesas
milionárias continuam sendo assumidas — e muitas acabam ficando para pagamento
posterior.
Parnamirim é um exemplo que chama atenção. Dados
apresentados como extraídos do Portal da Transparência apontam que o Carnaval
do Povo de 2025, realizado na gestão da prefeita Nilda, acumulou R$ 4,93
milhões em despesas liquidadas. Desse montante, apenas R$ 1,75 milhão havia sido
pago, restando R$ 3,18 milhões pendentes.
Entre os compromissos relacionados ao evento
aparecem cachês expressivos de atrações nacionais e regionais. Somente dez
deles totalizam R$ 2,75 milhões.
É evidente que festa popular movimenta a economia,
gera renda e tem importância cultural. O problema começa quando a conta não
acompanha o tamanho da festa. Se a administração reconheceu a despesa como
devida, mas ainda existe um volume milionário pendente, surge uma pergunta
inevitável: houve planejamento financeiro suficiente antes da contratação?
O caso de Parnamirim serve de exemplo para uma
realidade que merece atenção em muitos municípios: não adianta fazer festa
grande hoje e deixar uma conta ainda maior para amanhã.
Prefeitura não pode administrar dinheiro público
como se não houvesse amanhã. Festa acaba, palco é desmontado, artistas vão
embora — mas a dívida fica.

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