O mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte
criou 999 postos em julho de 2026, resultado de 21.759 admissões e 20.760
desligamentos. O desempenho elevou para 531.710 o estoque de trabalhadores
contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho no Estado. Os
dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério
do Trabalho e Emprego, reunidos em boletim elaborado pelo Sebrae-RN.
O saldo positivo foi sustentado principalmente pelo
calendário agrícola. A agropecuária abriu 1.291 vagas no mês, das quais 1.020
vieram diretamente do cultivo de melão. A fabricação de açúcar em bruto,
vinculada à indústria, acrescentou 451 empregos. Sem o movimento dessas duas
atividades, que juntas criaram 1.471 postos, o mercado potiguar teria encerrado
julho no terreno negativo.
A concentração do resultado em atividades sazonais
mostra uma recuperação mensal, mas também expõe a fragilidade do quadro geral.
O saldo de julho foi o menor para o mês desde 2022. Na comparação, o Estado
criou 2.761 empregos em julho de 2022, 3.459 em 2023, 6.014 em 2024 e 3.446 em
2025.
A distância também aparece no acumulado de janeiro a
julho. O Rio Grande do Norte abriu 1.822 vagas formais nos sete primeiros meses
de 2026, o menor resultado da série de cinco anos apresentada no boletim. O
saldo havia sido de 10.072 empregos no mesmo período de 2022, 9.535 em 2023,
19.259 em 2024 e 10.185 em 2025.
Em relação ao melhor resultado da série, registrado
em 2024, a criação de empregos deste ano caiu 90,5%. Na comparação com 2025,
foram abertas 8.363 vagas a menos, uma redução de 82,1%. Os números indicam que
o avanço observado em julho ainda não foi suficiente para recompor as perdas
acumuladas em parte das atividades econômicas.
Agropecuária lidera reação mensal
Três dos cinco grandes setores econômicos fecharam
julho com criação de postos de trabalho. Além das 1.291 vagas da agropecuária,
a indústria registrou saldo de 383 empregos, enquanto o comércio abriu 204
postos.
O comércio varejista de artigos do vestuário e
acessórios criou 177 vagas e foi a terceira atividade com maior saldo no mês. A
construção de edifícios veio em seguida, com 165 empregos. O cultivo de outras
plantas de lavoura temporária não especificadas anteriormente completou a
relação dos cinco maiores resultados, com 120 postos.
O comportamento de julho, contudo, não eliminou as
perdas acumuladas pela agropecuária em 2026. Entre janeiro e julho, o setor
fechou 3.222 vagas, o pior resultado entre as cinco áreas analisadas. O cultivo
de melão, responsável pelo avanço mensal, ainda acumulava perda de 1.870
empregos no ano, reflexo da oscilação das contratações entre os períodos de
plantio, colheita e entressafra.
A indústria também continuou negativa no acumulado,
com fechamento de 741 vagas. A fabricação de álcool respondeu por uma perda de
1.176 postos nos sete primeiros meses, apesar da contratação registrada em
julho na fabricação de açúcar em bruto.
Em sentido contrário, os serviços lideraram a
criação de empregos no acumulado do ano, com 4.052 vagas. A administração
pública respondeu por 594 postos. A construção acumulou 918 empregos, dos quais
824 foram gerados na construção de edifícios, enquanto o comércio apresentou
saldo de 821 vagas. No atacado de mercadorias em geral, com predominância de
produtos alimentícios, foram abertos 410 postos.
Serviços e construção recuam em julho
Apesar de liderarem o acumulado do ano, os serviços
terminaram julho com o fechamento de 608 postos. A principal perda ocorreu nos
serviços combinados de apoio a edifícios, exceto condomínios prediais, que
eliminaram 696 vagas.
Essa atividade apresentou um desempenho 935 postos
abaixo de sua média histórica para julho, a maior diferença negativa apontada
pelo levantamento. As atividades de teleatendimento também fecharam 123 vagas
no mês.
A construção perdeu 271 empregos. A construção de
estações e redes de distribuição de energia elétrica eliminou 220 postos,
enquanto os serviços de instalação e manutenção elétrica fecharam outros 176.
Na comparação com suas médias históricas para julho, as duas atividades
ficaram, respectivamente, 207 e 232 vagas abaixo do padrão.
A confecção de peças do vestuário, exceto roupas
íntimas e itens produzidos sob medida, apresentou saldo negativo de 206 postos.
Já o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos
alimentícios, ficou 237 vagas abaixo da média histórica, embora o comércio,
como setor, tenha encerrado o mês com saldo positivo.
Na direção oposta, o comércio atacadista de produtos
alimentícios em geral ficou 234 postos acima da média histórica para julho. O
varejo de vestuário superou sua média em 124 vagas, e o atacado de mercadorias
em geral, com predominância de alimentos, ficou 89 postos acima.
Pequenos negócios evitam resultado negativo
As microempresas concentraram a criação de vagas
formais no Rio Grande do Norte em 2026. De janeiro a julho, os estabelecimentos
desse porte abriram 7.814 postos de trabalho e registraram saldo positivo em
todos os meses.
A geração mensal nas microempresas passou de 1.101
vagas em janeiro para 1.044 em fevereiro e alcançou o ponto mais alto em março,
com 2.166 postos. Depois, foram criadas 774 vagas em abril, 809 em maio, 1.029
em junho e 891 em julho.
As pequenas empresas chegaram a julho com perda
acumulada de 281 postos. Depois de resultados negativos em janeiro, abril, maio
e junho, o segmento abriu 163 vagas em julho. As médias empresas encerraram os
sete primeiros meses com redução de 2.113 empregos, embora tenham criado 463
postos em julho.
As grandes empresas foram responsáveis pelo maior
saldo negativo por porte, com fechamento de 3.598 vagas no acumulado do ano. O
grupo perdeu 518 empregos em julho. Sem os 7.814 postos criados pelas
microempresas, o mercado formal potiguar teria acumulado perda de 5.992 vagas
no período.
Melão leva emprego para municípios do Oeste
A distribuição municipal confirma o peso da
fruticultura na geração de trabalho. Apodi apresentou saldo de 191 vagas em
julho, sendo 181 no cultivo de melão. Açu abriu 126 postos, dos quais 34 vieram
dessa atividade, enquanto Baraúna criou 104 empregos, com 80 relacionados ao
produto.
Goianinha teve o melhor desempenho entre os
municípios selecionados no boletim, com 493 vagas. A fabricação de açúcar em
bruto respondeu por 452 postos. Macaíba também ficou positiva, com 124
empregos, incluindo 39 na locação temporária de mão de obra.
Mossoró teve o pior resultado entre as cidades
relacionadas, com o fechamento de 486 vagas. Os serviços combinados de apoio a
edifícios perderam 827 postos no município. Parnamirim eliminou 102 empregos,
dos quais 111 nas atividades de teleatendimento.
São Bento do Norte fechou 94 vagas, São Paulo do
Potengi perdeu 71 e Caicó encerrou 81 postos. No caso de São Bento do Norte, a
locação temporária de mão de obra respondeu por 95 demissões. Em São Paulo do
Potengi, a fabricação de conservas perdeu 72 vagas. Em Caicó, a construção de
estações e redes de energia elétrica eliminou 23 postos.
RN fica na penúltima posição do Nordeste
Todos os Estados nordestinos apresentaram saldo
positivo em julho, mas o Rio Grande do Norte ficou na oitava colocação, à
frente apenas do Maranhão, que abriu 654 vagas.
A Bahia liderou a região, com 4.664 novos postos,
seguida pelo Ceará, com 4.181. A Paraíba criou 2.307 empregos; o Piauí, 1.987;
Pernambuco, 1.883; Alagoas, 1.203; e Sergipe, 1.095.
A diferença entre o Rio Grande do Norte e os líderes
regionais reforça o ritmo mais lento das contratações no Estado. O saldo
potiguar correspondeu a 21,4% do resultado baiano e a 24% do desempenho
cearense no mês.
Emprego formal no RN em números
- 21.759
admissões em julho;
- 20.760
desligamentos no mês;
- 999
vagas abertas em julho;
- 531.710
vínculos formais no estoque;
- 1.822
vagas criadas entre janeiro e julho;
- 1.291
postos abertos pela agropecuária no mês;
- 1.020
vagas geradas pelo cultivo de melão;
- 4.052
empregos acumulados pelos serviços em 2026;
- 7.814
vagas criadas pelas microempresas no ano;
- 3.598
postos fechados pelas grandes empresas;
- 608
vagas perdidas pelos serviços em julho;
- 486
empregos eliminados em Mossoró;
- 493
vagas criadas em Goianinha;
- 8ª
posição do RN entre os nove Estados do Nordeste em julho.
Fonte: Novo Caged, do Ministério do
Trabalho e Emprego. Elaboração: Sebrae-RN.

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