sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Melão sustenta emprego no RN, mas saldo de 2026 é o menor em cinco anos

 


O mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte criou 999 postos em julho de 2026, resultado de 21.759 admissões e 20.760 desligamentos. O desempenho elevou para 531.710 o estoque de trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho no Estado. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego, reunidos em boletim elaborado pelo Sebrae-RN.

O saldo positivo foi sustentado principalmente pelo calendário agrícola. A agropecuária abriu 1.291 vagas no mês, das quais 1.020 vieram diretamente do cultivo de melão. A fabricação de açúcar em bruto, vinculada à indústria, acrescentou 451 empregos. Sem o movimento dessas duas atividades, que juntas criaram 1.471 postos, o mercado potiguar teria encerrado julho no terreno negativo.

A concentração do resultado em atividades sazonais mostra uma recuperação mensal, mas também expõe a fragilidade do quadro geral. O saldo de julho foi o menor para o mês desde 2022. Na comparação, o Estado criou 2.761 empregos em julho de 2022, 3.459 em 2023, 6.014 em 2024 e 3.446 em 2025.

A distância também aparece no acumulado de janeiro a julho. O Rio Grande do Norte abriu 1.822 vagas formais nos sete primeiros meses de 2026, o menor resultado da série de cinco anos apresentada no boletim. O saldo havia sido de 10.072 empregos no mesmo período de 2022, 9.535 em 2023, 19.259 em 2024 e 10.185 em 2025.

Em relação ao melhor resultado da série, registrado em 2024, a criação de empregos deste ano caiu 90,5%. Na comparação com 2025, foram abertas 8.363 vagas a menos, uma redução de 82,1%. Os números indicam que o avanço observado em julho ainda não foi suficiente para recompor as perdas acumuladas em parte das atividades econômicas.

Agropecuária lidera reação mensal

Três dos cinco grandes setores econômicos fecharam julho com criação de postos de trabalho. Além das 1.291 vagas da agropecuária, a indústria registrou saldo de 383 empregos, enquanto o comércio abriu 204 postos.

O comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios criou 177 vagas e foi a terceira atividade com maior saldo no mês. A construção de edifícios veio em seguida, com 165 empregos. O cultivo de outras plantas de lavoura temporária não especificadas anteriormente completou a relação dos cinco maiores resultados, com 120 postos.

O comportamento de julho, contudo, não eliminou as perdas acumuladas pela agropecuária em 2026. Entre janeiro e julho, o setor fechou 3.222 vagas, o pior resultado entre as cinco áreas analisadas. O cultivo de melão, responsável pelo avanço mensal, ainda acumulava perda de 1.870 empregos no ano, reflexo da oscilação das contratações entre os períodos de plantio, colheita e entressafra.

A indústria também continuou negativa no acumulado, com fechamento de 741 vagas. A fabricação de álcool respondeu por uma perda de 1.176 postos nos sete primeiros meses, apesar da contratação registrada em julho na fabricação de açúcar em bruto.

Em sentido contrário, os serviços lideraram a criação de empregos no acumulado do ano, com 4.052 vagas. A administração pública respondeu por 594 postos. A construção acumulou 918 empregos, dos quais 824 foram gerados na construção de edifícios, enquanto o comércio apresentou saldo de 821 vagas. No atacado de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, foram abertos 410 postos.

Serviços e construção recuam em julho

Apesar de liderarem o acumulado do ano, os serviços terminaram julho com o fechamento de 608 postos. A principal perda ocorreu nos serviços combinados de apoio a edifícios, exceto condomínios prediais, que eliminaram 696 vagas.

Essa atividade apresentou um desempenho 935 postos abaixo de sua média histórica para julho, a maior diferença negativa apontada pelo levantamento. As atividades de teleatendimento também fecharam 123 vagas no mês.

A construção perdeu 271 empregos. A construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica eliminou 220 postos, enquanto os serviços de instalação e manutenção elétrica fecharam outros 176. Na comparação com suas médias históricas para julho, as duas atividades ficaram, respectivamente, 207 e 232 vagas abaixo do padrão.

A confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e itens produzidos sob medida, apresentou saldo negativo de 206 postos. Já o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, ficou 237 vagas abaixo da média histórica, embora o comércio, como setor, tenha encerrado o mês com saldo positivo.

Na direção oposta, o comércio atacadista de produtos alimentícios em geral ficou 234 postos acima da média histórica para julho. O varejo de vestuário superou sua média em 124 vagas, e o atacado de mercadorias em geral, com predominância de alimentos, ficou 89 postos acima.

Pequenos negócios evitam resultado negativo

As microempresas concentraram a criação de vagas formais no Rio Grande do Norte em 2026. De janeiro a julho, os estabelecimentos desse porte abriram 7.814 postos de trabalho e registraram saldo positivo em todos os meses.

A geração mensal nas microempresas passou de 1.101 vagas em janeiro para 1.044 em fevereiro e alcançou o ponto mais alto em março, com 2.166 postos. Depois, foram criadas 774 vagas em abril, 809 em maio, 1.029 em junho e 891 em julho.

As pequenas empresas chegaram a julho com perda acumulada de 281 postos. Depois de resultados negativos em janeiro, abril, maio e junho, o segmento abriu 163 vagas em julho. As médias empresas encerraram os sete primeiros meses com redução de 2.113 empregos, embora tenham criado 463 postos em julho.

As grandes empresas foram responsáveis pelo maior saldo negativo por porte, com fechamento de 3.598 vagas no acumulado do ano. O grupo perdeu 518 empregos em julho. Sem os 7.814 postos criados pelas microempresas, o mercado formal potiguar teria acumulado perda de 5.992 vagas no período.

Melão leva emprego para municípios do Oeste

A distribuição municipal confirma o peso da fruticultura na geração de trabalho. Apodi apresentou saldo de 191 vagas em julho, sendo 181 no cultivo de melão. Açu abriu 126 postos, dos quais 34 vieram dessa atividade, enquanto Baraúna criou 104 empregos, com 80 relacionados ao produto.

Goianinha teve o melhor desempenho entre os municípios selecionados no boletim, com 493 vagas. A fabricação de açúcar em bruto respondeu por 452 postos. Macaíba também ficou positiva, com 124 empregos, incluindo 39 na locação temporária de mão de obra.

Mossoró teve o pior resultado entre as cidades relacionadas, com o fechamento de 486 vagas. Os serviços combinados de apoio a edifícios perderam 827 postos no município. Parnamirim eliminou 102 empregos, dos quais 111 nas atividades de teleatendimento.

São Bento do Norte fechou 94 vagas, São Paulo do Potengi perdeu 71 e Caicó encerrou 81 postos. No caso de São Bento do Norte, a locação temporária de mão de obra respondeu por 95 demissões. Em São Paulo do Potengi, a fabricação de conservas perdeu 72 vagas. Em Caicó, a construção de estações e redes de energia elétrica eliminou 23 postos.

RN fica na penúltima posição do Nordeste

Todos os Estados nordestinos apresentaram saldo positivo em julho, mas o Rio Grande do Norte ficou na oitava colocação, à frente apenas do Maranhão, que abriu 654 vagas.

A Bahia liderou a região, com 4.664 novos postos, seguida pelo Ceará, com 4.181. A Paraíba criou 2.307 empregos; o Piauí, 1.987; Pernambuco, 1.883; Alagoas, 1.203; e Sergipe, 1.095.

A diferença entre o Rio Grande do Norte e os líderes regionais reforça o ritmo mais lento das contratações no Estado. O saldo potiguar correspondeu a 21,4% do resultado baiano e a 24% do desempenho cearense no mês.

Emprego formal no RN em números

  • 21.759 admissões em julho;
  • 20.760 desligamentos no mês;
  • 999 vagas abertas em julho;
  • 531.710 vínculos formais no estoque;
  • 1.822 vagas criadas entre janeiro e julho;
  • 1.291 postos abertos pela agropecuária no mês;
  • 1.020 vagas geradas pelo cultivo de melão;
  • 4.052 empregos acumulados pelos serviços em 2026;
  • 7.814 vagas criadas pelas microempresas no ano;
  • 3.598 postos fechados pelas grandes empresas;
  • 608 vagas perdidas pelos serviços em julho;
  • 486 empregos eliminados em Mossoró;
  • 493 vagas criadas em Goianinha;
  • 8ª posição do RN entre os nove Estados do Nordeste em julho.

Fonte: Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. Elaboração: Sebrae-RN.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

TANGARÁ: Nilson e Jorginho recebem Nina Souza e Gustavo Carvalho para o encontro “Minha Casa é do Povo” neste sábado (29)

  Nilson Lima, Vereador Thiago, Jorginho e Cacá Bezerra recebem Nina Souza e Gustavo Carvalho para o encontro “Minha Casa é do Povo”  Nest...