sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Jornalista que teve sigilo violado por Moraes nega ter monitorado Dino

 


Investigado no Inquérito das Fake News por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o jornalista Luís Pablo, 40 anos, nega ter monitorado ou perseguido o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus familiares. O repórter teve o sigilo de suas comunicações quebrado pela Polícia Federal (PF) — medida que revelou sua fonte de informação e gerou fortes reações de entidades de imprensa, que apontaram violação ao direito constitucional do sigilo de fonte (Art. 5º da Constituição).

As reportagens publicadas por Luís Pablo revelaram o uso supostamente irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pela família de Dino, antes que houvesse formalização do pedido de cessão entre o STF e o tribunal estadual.

Em entrevista ao Poder360 nesta quinta-feira (13), o jornalista rechaçou as acusações de perseguição e de ter recebido pagamentos para atacar o magistrado:

  • Atuação e Fonte: Afirma que apenas divulgou documentos entregues de forma espontânea por sua fonte, o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, e que não realizou campo ou monitoramento presencial.
  • Repasses Financeiros: Explicou que o valor citado no relatório da PF tratou-se de um empréstimo pessoal feito em setembro com o advogado Diogo Lima — quitado em fevereiro —, mais de um mês antes de ter acesso ao material da reportagem, recebido apenas em 1º de novembro.
  • Contraditório: Garante que seguiu os ritos jornalísticos, buscando o posicionamento oficial do STF e do TJ-MA via e-mail institucional antes de publicar o texto.

Reações no STF

Durante sessão no plenário do STF, o ministro Flávio Dino classificou as investigações como legítimas e afirmou que ele e seus filhos foram alvo de fotos e acompanhamento ostensivo, comparando a situação a episódios da ditadura militar.

O ministro Luiz Edson Fachin defendeu a apuração de eventuais crimes ou ameaças aos magistrados, mas ressaltou que as investigações não devem ultrapassar os limites da “atividade jornalística legítima exercida no cumprimento de sua função constitucional”. Já o ministro Alexandre de Moraes declarou apoio a Dino, afirmando que o sigilo da fonte não pode ser utilizado como “instrumento de impunidade criminal”.

Outro Lado

A defesa de Raimundo Cutrim apontou suspeição superveniente no processo, destacando que o ex-secretário já era alvo de um inquérito relatado pelo próprio ministro Flávio Dino. O espaço segue aberto para a manifestação da defesa do advogado Diogo Lima.

Com informações do Poder360

 

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