O escândalo envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o
Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ganhou
nova dimensão nos últimos dias e passou a envolver diretamente pessoas próximas
ao presidente da República. O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou nesta
terça-feira (4) a abertura de um terceiro inquérito contra Lulinha, além de uma
quarta investigação sobre vazamento de dados sigilosos relacionados ao caso.
As apurações têm origem na Operação Sem Desconto,
que investiga fraudes em aposentadorias do INSS. A partir dela, a Polícia
Federal identificou indícios de que Lulinha teria atuado em esquema de tráfico
de influência dentro do governo federal, em parceria com a empresária Roberta
Luchsinger, apontada como lobista e amiga do filho do presidente.
O caso ultrapassou os limites da família Lula e
chegou ao núcleo do Palácio do Planalto. A PF revelou que Roberta fez uma
transferência financeira a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o
"Marcola", ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República,
que deixou o cargo em 21 de julho para atuar na campanha de reeleição de Lula.
Procurado, Marcola confirmou ter recebido o valor, mas alegou se tratar de um
"empréstimo pessoal já quitado".
Segundo mensagens reveladas pelo Estadão, Roberta
também mantinha articulações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o
"Careca do INSS" — nome central da Operação Sem Desconto —, para
"abrir portas" no governo federal e prospectar negócios.
Ao todo, Lulinha é hoje alvo de três inquéritos
distintos no STF, sob relatoria dividida entre os ministros André Mendonça e
Flávio Dino: um relacionado ao Ministério da Saúde, outro à Dataprev, e o mais
recente sobre supostos negócios ilícitos em outras áreas do governo — este
último envolvendo suspeita de favorecimento a uma empresa de tecnologia com
mais de R$ 55 milhões em contratos com a União.
A multiplicação de investigações e o fatiamento dos
casos entre diferentes ministros do STF têm gerado, segundo apurou a revista
Veja, certo desconforto na própria Corte, por dificultar a centralização das
apurações sobre um mesmo esquema.
A defesa de Lulinha, hoje residente na Espanha, nega
qualquer irregularidade e afirma que o filho do presidente está
"tranquilo" diante das investigações. Seus advogados já solicitaram
acesso aos autos e pretendem pedir que ele preste depoimento formal à Polícia
Federal.
O caso ocorre em meio à movimentação da campanha de
reeleição de Lula, e o envolvimento de um ex-integrante do primeiro escalão do
Palácio do Planalto amplia a pressão política sobre o governo, que até então
buscava tratar o episódio como uma questão restrita à esfera pessoal do
presidente.

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