Mesmo depois do lançamento, em maio, do Desenrola
Brasil, o programa do governo com condições especiais para renegociação de
dívidas, os números gerais de inadimplência e do nível de endividamento das
famílias no Brasil pouco mudaram, e continuaram nos mesmos patamares recordes
em que estavam.
Em maio, primeiro mês da vigência do programa, pouco
mais de um quarto da renda das famílias continuava comprometido com o pagamento
de dívidas: essa proporção oscilou de 31,2%, em abril, para 31,1% em maio. Um
ano antes, em maio de 2025, era de 30,6%, e, no pico, em janeiro deste ano,
bateu 31,4%. Os resultados estão atualizados até maior e fazem parte dos dados
do mercado de crédito divulgados na quinta-feira, 30, pelo Banco Central.
O número não leva em consideração as dívidas com
financiamento imobiliário. Quando estas entram na conta, as pessoas perdem quase
a metade de sua renda: a parcela dos ganhos ocupada pelos empréstimos e
financiamentos totais ficou em 49,8% em maio, ante 49,9% em abril.
O programa Desenrola Brasil, que ganhou neste ano
uma segunda edição com a sucessão de recordes nos níveis de endividamento da
população, foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula. Previsto inicialmente
para durar por 90 dias, ele será prorrogado em mais um mês, até 31 de agosto,
conforme anunciou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta semana.
Inadimplência alta
O lançamento do programa também mexeu pouco na
inadimplência. Ela inclusive aumentou no primeiro mês de Desenrola, tendo
subido de 7,4% para 7,6%, de abril para maio, e ficado estável, nos mesmos
7,6%, em junho, de acordo com o Banco Central. É a maior proporção desde pelo
menos 2012, quando começa a série, e só em 2012 esse número chegou a bater nos
7%.
A taxa leva em consideração apenas a inadimplência
das pessoas físicas e em operações de crédito livre, como empréstimos pessoais,
cartão de crédito ou cheque especial, e que são o foco das renegociações
permitidas pelo Desenrola. O dado não considera as linhas de financiamento que
são reguladas, como o crédito imobiliário e o crédito rural, e que têm taxas de
inadimplência mais baixas.
A inadimplência é medida considerando o valor total
da carteira de crédito concedidos pelos bancos nessas modalidades que estão com
os pagamentos em atraso.
Veja

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