segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Desvio da BR-226 libera acesso a 20,8 toneladas de ouro no Rio Grande do Norte

 


A liberação de uma área atualmente ocupada pelo traçado da BR-226 abrirá caminho para a extração de mais 670 mil onças de ouro na cidade de Currais Novos, no Rio Grande do Norte. A medida é equivalente a 20,8 toneladas do metal precioso. O volume adicional, localizado exatamente sob da rodovia federal, será acessado por meio de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a empresa mineradora Aura Minerals. A manobra deve atrair mão de obra especializada e aquecer a economia local.

A intervenção viabilizará a expansão do Projeto Borborema, empreendimento que já recebeu investimentos de cerca de R$ 1 bilhão. Com o desvio, a Aura amplia em 82% a base total de reservas do projeto, elevando o potencial da Mina Borborema para cerca de 1,5 milhão de onças de ouro (40,7 toneladas) e estendendo sua vida útil a céu aberto para mais de 20 anos, com produção média anual estimada em 65 mil onças (duas a 2.4 toneladas de ouro puro).

 Efeitos na economia e no comércio local

 O reflexo direto da chegada da mineradora na economia local é acompanhado pela geração de postos de trabalho e movimentação no comércio do Seridó. Dados do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Estatística (IDEE) indicam que, até abril de 2026, a operação sustentava 239 empregos diretos e 919 terceirizados.

O aquecimento foi sentido no balcão das empresas da região. “Teve um boom econômico muito grande porque veio muita gente de fora para a instalação da planta. A rede hoteleira e de alimentos sentiu bastante, mas houve uma inflação na moradia e no aluguel”, relata Elton Gomes Souto, morador da cidade e sócio-diretor da Óticas Mirna, ao Movimento Econômico.

“Depois da instalação, o comércio estabilizou em um patamar superior ao de antes”, acrescenta, lembrando que o município tem histórico ligado à mineração desde os tempos da exploração de scheelita.

 

Segundo o secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Currais Novos, David Narwith, o impacto se multiplica por diversos segmentos. “A chegada da mineradora representa um marco importante para Currais Novos e para o Seridó. Há reflexos positivos em setores como hospedagem, alimentação, transporte, serviços e construção civil, aumentando a circulação de renda e contribuindo para o crescimento sustentável”, destaca.

Salto na arrecadação e presença internacional

O ganho de escala na operação ocorre em um momento de consolidação da mineradora no estado. A extração oficial em Currais Novos, iniciada em outubro de 2025, transformou o mapa da mineração potiguar.

 Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do RN (Sedec), o estado deu um salto no cenário nacional da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), tributo cobrado sobre a atividade, subindo da 21ª posição em 2025 para o 14º lugar até julho de 2026, superando outros polos do Nordeste como Ceará, Maranhão, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Piauí.

 O avanço na arrecadação reflete o volume das operações do ativo. Somente em 2025, destaca a pasta, o estado recolheu R$ 6,9 milhões em CFEM (taxa com alíquota de 1,5% sobre o ouro), sendo que Currais Novos recebeu R$ 3,4 milhões por ser o município produtor.

 Até julho de 2026, o recolhimento acumulado no RN atingiu R$ 11,5 milhões, distribuídos entre município produtor (60%), estado (15%), municípios afetados (15%) e União (10%).

 No comércio exterior, as exportações do projeto, beneficiado com 85% de incentivo do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do RN (Proedi), somaram US$ 112,8 milhões para o Canadá e US$ 44,6 milhões para a Suíça em 2026, com meta de extrair entre 65 mil e 77 mil onças no ano.

 “A gente entende como positiva uma instalação da mineradora respeitando todas as leis ambientais, trazendo impacto na nossa economia com a geração de empregos e também uma geração de divisas que ficam para nosso estado. Inclusive, nós temos outros projetos de mineração para serem implantados e outros que foram retomados”, avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Lahyre Rosado.

 Métrica operacional e valorização do ativo

 Concluída em 19 meses, a Mina Borborema opera pelo método de lavra a céu aberto e processa aproximadamente dois milhões de toneladas de rocha mineralizada por ano. A unidade entrou em fase de ramp-up após a emissão da primeira barra de ouro no ano passado, tendo registrado no primeiro semestre de 2026 uma produção de 31.352 GEO (Gold Equivalent Ounce, métrica que equivale a cerca de 975 kg de ouro).

 Com a atualização dos relatórios técnicos e o acréscimo das reservas sob a rodovia, o Valor Presente Líquido (VPL) do projeto, indicador que mede a rentabilidade futura da jazida a valores atuais, saltou de US$ 182 milhões para US$ 612,5 milhões.

 Pelo acordo firmado com o Dnit, a Aura Minerals assumirá a responsabilidade integral pelos projetos de engenharia, desapropriações e execução das obras do novo traçado da via, garantindo a continuidade do tráfego sem qualquer aporte de recursos públicos.

 O início efetivo das obras e a definição dos custos da intervenção viária dependem da aprovação final dos projetos técnicos junto ao Dnit, além do licenciamento ambiental.

 ”Esse acordo representa um marco importante que acelera de forma significativa a geração de valor em Borborema. Desde a aquisição do projeto, o potencial de expansão levou ao planejamento de uma planta totalmente expansível”, afirma Rodrigo Barbosa, presidente e CEO da Aura.

Por movimento econômico.

 

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