A cúpula do PL não trabalha, ao menos
neste momento, com a possibilidade de retirar Alfredo Gaspar (PL-AL)
da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O deputado foi anunciado como
candidato a vice-presidente na quarta-feira (5/8), mas a escolha provocou
contrariedade entre aliados que esperavam uma mulher para ocupar a vaga.
A reação foi mais forte entre integrantes da ala
feminina do partido. Durante a pré-campanha, o próprio Flávio havia
sinalizado preferência por uma mulher. A ideia era que a escolha ajudasse a
ampliar a candidatura e aproximasse o senador de eleitoras que ainda demonstram
resistência ao bolsonarismo.
A definição de Gaspar também trouxe para o centro da
campanha dois assuntos que envolvem o deputado: uma acusação de estupro de
vulnerável, que ele nega, e questionamentos sobre uma emenda
Pix de aproximadamente R$ 6,2 milhões destinada ao município de São José
da Laje (AL).
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o
coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), têm descartado uma
mudança na composição da chapa. Segundo um dirigente da legenda, ouvido
sob reserva, uma substituição só ocorreria se o próprio Gaspar desistisse da
candidatura.
A campanha agora tenta aparar as arestas que
surgiram em torno do vice antes do início da propaganda eleitoral, em 16 de
agosto. A preocupação é que os episódios sejam usados pelos adversários
para atingir Flávio e acabem ocupando espaço maior do que a própria
apresentação da chapa.
A acusação de estupro é a principal
preocupação. O caso foi levado à Polícia Federal em março pelo deputado
Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), durante a
fase final da CPMI do INSS, que tinha Gaspar como relator.
Os dois parlamentares pediram que fosse investigada
a suspeita de que o deputado tivesse mantido relação sexual com uma adolescente
de 13 anos, que posteriormente teria engravidado. A PF pediu ao Supremo
Tribunal Federal (STF) autorização para abrir um inquérito.
O procedimento tramita sob sigilo e está sob
relatoria do ministro Gilmar Mendes. Até agora, o Supremo não autorizou a
abertura da investigação.
Gaspar contesta a acusação. Segundo ele, os fatos
apresentados pelos parlamentares dizem respeito a seu primo, e não a ele. O
deputado afirma que o parente, quando menor de idade, teve uma relação
consensual com outra menor, que engravidou.
Na quinta-feira (6/8), Alfredo Gaspar recorreu ao
STF para tentar acelerar a realização de um exame genético. A defesa pediu
a coleta de material para um teste de DNA, com o objetivo de verificar se o
deputado é o pai da criança citada na acusação. A equipe jurídica da campanha
do PL, segundo interlocutores, também passou a monitorar o caso.
Emenda também gera questionamentos
A segunda questão envolve recursos públicos. O TCU
analisou uma “emenda Pix” de cerca de R$ 6,2 milhões indicada por Gaspar para
São José da Laje. Segundo a auditoria, houve problemas que dificultaram o
acompanhamento da execução da verba.
Metrópoles

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