terça-feira, 4 de agosto de 2026

Caso Lulinha: Amigo de Mendonça, Jorge Messias descarta atender PF para tentar frear ministro

 


A Advocacia-Geral da União (AGU) não vai recorrer da ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para que a Polícia Federal encaminhe ao seu gabinete todos os documentos brutos da investigação sobre o esquema do INSS, bem como qualquer mudança na equipe de delegados que atua no caso.

A notícia é da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles. Segundo ela, o ministro Jorge Messias tentará resolver o impasse por meio do diálogo. Ele pretende propor uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington César, ao qual a PF é subordinada, para que cheguem a um entendimento sobre os procedimentos a serem adotados.

Como revelou a coluna, Mendonça entende que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pode ter cometido obstrução de Justiça ao descumprir sua decisão. Há dois meses, seu despacho foi encaminhado ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal, sem que fossem adotadas as providências determinadas pelo ministro. Na PF, porém, a avaliação é a de que a ordem fere a lei que garante aos delegados autonomia para conduzir as investigações.

O entendimento na AGU é que contestar a ordem do ministro do Supremo abriria espaço para que os investigados tentassem anular toda a operação. Na avaliação de integrantes do governo, diante dos questionamentos sobre a legalidade da determinação, advogados poderiam contestar os procedimentos adotados, usando o mesmo atalho que “descondenou” o presidente Lula nos processos da Lava Jato.

A coluna apurou que o diretor-geral da PF já foi informado da decisão da AGU. Quem acompanha a queda de braço afirma que “está todo mundo uma pilha de nervos” e é preciso reduzir a temperatura da crise para evitar que ela escale a ponto de resultar em acusação de obstrução de Justiça por descumprimento de uma ordem de um ministro do Supremo e, até mesmo, medidas extremas contra o diretor-geral da PF.

Havia a expectativa de que a iniciativa de resolver o impasse pelas vias diplomáticas partisse do ministro da Justiça, que permanece de braços cruzados, o que tem irritado, inclusive, o presidente Lula, a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Se André Mendonça aceitar a reunião, o ministro Wellington César deverá argumentar que a Polícia Federal conduz cerca de 400 inquéritos simultaneamente e conta com muitos delegados cedidos a outros órgãos, inclusive ao gabinete do ministro André Mendonça, numa espécie de polícia paralela.

 

 

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