quarta-feira, 26 de agosto de 2026

"Caso amoroso" com Roberta: Lulinha tinha mais medo de ser pego pela esposa que pela Polícia Federal

 



Mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas por O Antagonista e pela revista Veja lançam luz sobre a relação entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, sugerindo que os dois teriam mantido um relacionamento amoroso paralelo às tratativas de negócios que hoje são investigadas por suspeita de tráfico de influência.

Segundo trecho reproduzido pela Veja, em conversa datada de 18 de janeiro de 2024 e recuperada pela PF, Roberta convida Lulinha para uma viagem à Europa. Ele hesita, alegando que a viagem seria "arriscada", e ela responde que o custo seria baixo — cerca de R$ 100 mil. Lulinha então recusa o convite para aquele momento, mas promete que, "daqui a uns meses", poderiam fazer a viagem "à vontade" — dando a entender que pretendia se separar da esposa.

A publicação da Veja registra a seguinte declaração atribuída a Lulinha: "A gente tá se arriscando a qualquer merda, não tem explicação nenhuma". Comentaristas do Jornal das 6 interpretaram a fala como evidência de que o "risco" mencionado por Lulinha não era de natureza financeira ou jurídica, mas doméstico — o temor de ser flagrado pela mulher, e não pela Polícia Federal. "Essas declarações fazem muito mais referência a um caso amoroso do que a medo da mulher pegar do que da Polícia Federal", afirmou um dos apresentadores durante o programa.

O episódio reforça relatos anteriores de uma ex-funcionária de Roberta Luchsinger, que, em depoimento a um processo trabalhista, chegou a se referir a Fábio Luís como "marido" da lobista. A ex-empregada posteriormente afirmou que a declaração fora um erro, mas o comentário reacendeu especulações sobre a proximidade entre os dois, que, segundo apurações, mantinham uma relação que ultrapassava o âmbito profissional.

Outras frentes da investigação

As mensagens entre Lulinha e Roberta também mencionam o empresário Fernando Bittar, sócio de Fábio Luís e apontado como um dos antigos proprietários do sítio de Atibaia (SP), investigado na Operação Lava Jato. Segundo a Polícia Federal, os três — Lulinha, Roberta e Bittar — manteriam uma "sociedade oculta" para intermediar interesses privados junto a agentes e órgãos públicos.

Roberta ainda afirmou, em mensagens trocadas com Lulinha em 29 de junho de 2025, que o empresário Bittar teria criado um perfil falso nas redes sociais para atacar a primeira-dama Janja. Segundo a lobista, Bittar também estaria utilizando o nome de Lulinha para tentar fechar contratos com a Telebras.

Lula evita comentar o caso

O presidente Lula (PT) voltou a evitar responder perguntas sobre as suspeitas envolvendo o filho e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Após participar de solenidade em comemoração ao Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército em Brasília, o presidente deixou o local sem responder aos questionamentos de jornalistas. Anteriormente, Lula já havia declarado que o filho deve "provar sua inocência" e que, em caso de irregularidade, deve "ser julgado e punido".

Segundo o Estadão, o núcleo político do PT tem pressionado o presidente para que mantenha discrição sobre o tema, na tentativa de evitar que o caso se transforme em um desgaste político mais amplo para o governo.

 

 

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