André Mendonça ganhou um papel central na eleição de
2026 ao ficar responsável por investigações que atingem os dois principais
polos da disputa presidencial. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é
relator do caso Master, que envolve o senador Flávio Bolsonaro, e de dois
inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O cenário
levanta uma comparação com Sergio Moro, que teve forte influência sobre a
eleição de 2018.
Mendonça afirma que pretende conduzir os casos com
“rigor técnico” e “imparcialidade”, mas os processos caminham em ritmos
diferentes. Enquanto o caso envolvendo Flávio Bolsonaro não apresenta novos
fatos públicos desde maio, as investigações sobre Lulinha vêm produzindo uma
sequência de informações e vazamentos. A Procuradoria-Geral da República também
pediu que os inquéritos de Lulinha sejam enviados à primeira instância, sob o
argumento de que não há autoridade com foro privilegiado entre os investigados.
A comparação com Moro ganha força porque o ex-juiz
da Lava Jato teve papel decisivo na eleição de 2018 ao condenar e prender Lula,
então líder das pesquisas, e depois divulgar uma delação contra o PT às
vésperas do primeiro turno. Mendonça agora está diante de uma situação
diferente, mas igualmente delicada: investigações envolvendo nomes ligados aos
dois lados da disputa presidencial. O desafio será provar, na prática, a
imparcialidade que afirma defender e evitar que as investigações sejam
percebidas como instrumento de influência eleitoral.
Bernardo Mello Franco - O Globo

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