Às vésperas da audiência do USTR (Escritório do
Representante de Comércio dos Estados Unidos) para debater as tarifas
comerciais do governo Donald Trump pela seção 301, o setor produtivo afina a
argumentação que levará a Washington. O foco é no impacto econômico para tentar
convencer os americanos que, com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a
inflação vai pesar no bolso americano.
A notícia é da CNN Brasil. Mais de 70 brasileiros,
entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e
economia, além de políticos estarão no encontro marcado pelo USTR. Dentre o
setor produtivo, serão 11 representantes do agro brasileiro com direito à fala
e 12 do agro americano.
Entretanto, o setor agropecuário do Brasil deve
entrar em uma queda de braço com algumas entidades setoriais dos EUA. É o caso
do setor de biocombustíveis. A associação dos produtores de etanol dos Estados
Unidos, a RFA (Renewable Fuels Association), defende a imposição de tarifas
recíprocas sob a justificativa de que há prática comercial desleal praticada
pelo Brasil.
A entidade encomendou uma pesquisa para mostrar que
os combustíveis renováveis ganharam força junto ao eleitorado americano em meio
ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. Segundo o
levantamento, 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS — programa federal que
obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis —, o maior patamar
de apoio registrado em uma década de sondagens trimestrais da entidade. Apenas
12% se disseram contrários à política.
O levantamento também indica que 87% dos
entrevistados consideram importante que os EUA sejam energeticamente
independentes, enquanto 80% afirmam que combustíveis renováveis, como o etanol,
são relevantes para alcançar esse objetivo. É neste argumento que está embutida
a defesa de tarifas recíprocas.
Na avaliação da RFA, os números reforçam a percepção
de que o etanol produzido domesticamente ajuda a reduzir a dependência do país
de fontes externas de energia, além de contribuir para a economia rural e para
a oferta de combustíveis mais acessíveis.

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