Lideranças do setor privado já fizeram chegar, nesta
quinta-feira (16), a representantes do governo federal a preocupação com os
sinais de que o presidente Lula e o Itamaraty pretendem retaliar os Estados
Unidos em razão do novo tarifaço contra o Brasil.
O alerta foi feito em três aspectos.
Primeiro, o de que apenas a China obteve êxito ao
retaliar Trump, justamente por ser a segunda maior economia do mundo. E que
nenhum outro país optou por escalar o conflito, de economias fortes, como Reino
Unido e Japão, a blocos econômicos, como a União Europeia. E que mesmo quem
ameaçou retaliar desistiu, caso do Canadá.
Segundo, o de que uma eventual escalada nada traria
de ganho para os exportadores brasileiros, que já veem seus negócios sob risco
diante do novo tarifaço. Reafirmaram a relevância do mercado americano e dos
produtos que se exportam para lá, de alto valor agregado.
É o país para o qual o Brasil exporta produtos de
maior valor agregado, onde está a indústria mais sofisticada. Empresas correm o
risco de fechar linhas importantes de desenvolvimento tecnológico e científico.
E, terceiro, que a reação de Donald Trump a uma
retaliação é imprevisível. Pode ir desde ignorar a medida até tomar
providências mais drásticas contra o Brasil, inclusive em outras áreas não
afetadas pelo novo tarifaço.
A avaliação de quem conversou com o governo é a de
que a tendência é, de ato, levar adiante a aplicação da Lei da Reciprocidade,
muito embora haja uma ala mais pragmática e minoritária que defenda cautela
neste momento e que nada seja feito.
CNN Brasil

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