De acordo com o estudo, a mudança também pode
provocar aumento de preços de até 13%, com reflexo direto no custo de vida da
população. O apoio à proposta o fim da escala 6x1 cai de 75% para 55,6% quando
os entrevistados são informados sobre possíveis consequências da mudança.
A proposta de extinção da escala 6x1 e de redução da
jornada máxima semanal de 44 para 40 horas pode gerar um custo adicional de R$
3 bilhões por ano para as empresas do Rio Grande do Norte, segundo estimativas
do Instituto Fecomércio RN (IFC) e da Confederação Nacional do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento também projeta a possível
eliminação de 7,8 mil empregos formais no estado no curto e médio prazo.
O impacto tende a ser mais concentrado nos setores
de comércio e serviços, responsáveis por parcela significativa da geração de
empregos no Rio Grande do Norte. De acordo com o estudo, a mudança também pode
provocar aumento de preços de até 13%, com reflexo direto no custo de vida da
população.
O tema foi analisado em pesquisa do Instituto Fecomércio
RN com 1.305 trabalhadores formais dos maiores municípios potiguares. O
levantamento aponta que, embora a proposta tenha apoio inicial entre os
entrevistados, 91,3% dos que se dizem favoráveis afirmam ter conhecimento médio
ou baixo sobre as implicações concretas da medida. Mais de 89% dos
trabalhadores ouvidos disseram já ter ouvido falar da proposta, mas apenas 8,7%
afirmaram compreender efetivamente suas consequências práticas.
A pesquisa mostra ainda que os próprios
trabalhadores identificam riscos associados à mudança. Entre os efeitos citados
estão aumento da rotatividade de mão de obra, apontado por 71,1% dos
entrevistados; crescimento da informalidade, mencionado por 65%; acúmulo de
funções, citado por 63,5%; e redução de postos formais de trabalho, indicada
por 60,2%.
Outro dado do levantamento é que o apoio à proposta
cai de 75% para 55,6% quando os entrevistados são informados sobre possíveis
consequências da mudança. Redução salarial, mencionada por 44,8%, e aumento do
desemprego, citado por 37,8%, aparecem entre os principais fatores que levariam
parte dos trabalhadores a retirar o apoio à medida.
Segundo o Instituto Fecomércio RN, os trabalhadores
de menor renda, que apresentam maior apoio inicial à proposta, também estão
entre os mais vulneráveis aos impactos de um eventual aumento de custos para as
empresas. O estudo aponta que esse grupo poderia ser mais afetado por demissões
ou pela migração para a informalidade em um cenário de ajuste de custos
trabalhistas.
Em âmbito nacional, as projeções da CNC indicam que
a extinção da escala 6x1 e a redução da jornada poderiam gerar R$ 357,4 bilhões
em custos adicionais anuais para os setores de comércio e serviços. A entidade
também estima a perda de até 631 mil empregos formais em todo o país.
Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo
Queiroz, o debate sobre a proposta deve considerar os efeitos sobre a economia,
o emprego e a renda. Segundo ele, o setor de comércio, serviços e turismo reúne
empresas de diferentes portes e atividades com características distintas,
incluindo segmentos com forte sazonalidade.
“O comércio de bens, serviços e turismo é
extremamente heterogêneo, envolvendo desde micro e pequenas empresas até
grandes redes, além de atividades com forte sazonalidade, como o turismo e a
hospitalidade. Uma legislação impositiva e uniforme pode gerar efeitos
adversos, como fechamento de estabelecimentos, demissões e aumento de preços ao
consumidor, conforme nossos estudos projetam. Qualquer mudança neste sentido
deve ocorrer por meio da negociação coletiva, respeitando a diversidade, as
especificidades regionais e as diferentes realidades econômicas do setor”,
afirmou Marcelo Queiroz.

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