O PT lançou uma espécie de treinamento para
militantes petistas e apoiadores de Lula interessados em atuar na campanha do
presidente da República nas redes sociais. Segundo o partido, o objetivo é
“organizar a militância digital” e “fortalecer a defesa da democracia”.
Na prática, o evento serviu de palco para que o
deputado Janones ensinasse métodos de disseminação de desinformação e formas de
literalmente enganar eleitores nas redes.
O conteúdo, transmitido ao vivo no YouTube, assusta
pela naturalidade com que Janones ensina seus métodos mentirosos e a
passividade com que a audiência acolhe tais atos questionáveis do “professor”.
O ponto principal do deputado é que a militância não
precisa falar a verdade nas redes. Ela só precisa inventar uma história que
pareça verdadeira aos eleitores. Como exemplo, ele cita o caso em que pegou
fotos de Jair Bolsonaro e Fernando Collor, em eventos políticos, para propagar
nas redes a versão de que Bolsonaro poderia nomear Collor ministro do governo,
caso fosse reeleito em 2022. A malandragem ensinada por Janones estava no termo
“pode”, que mascarava uma invenção do deputado.
Bolsonaro pode nomear Collor ministro, como poderia
nomear o próprio Lula, na lógica de Janones. Como ele falou que Bolsonaro
“pode”, a conclusão de que isso seria possível fica a cargo do eleitor que cai
na armadilha.
O mesmo método foi usado por Janones num episódio em
que ele anunciou que iria divulgar conteúdos do celular de Gustavo Bebianno,
ex-ministro de Jair Bolsonaro. A forma utilizada pelo deputado sugeria que ele
tinha algo bombástico, mas, na verdade, os tais conteúdos eram irrelevantes e
serviram apenas para ele criar desinformação.
“Não é mentir, não é criar fake news, é contar a
sua versão dos fatos. E aí, o que eu fiz na época? Eu tinha um celular que me
foi passado por uma pessoa que coordenou a campanha do Bolsonaro em 2018 e que
era então meu aliado. E nesse celular tinha conteúdos do celular do Bebianno,
imagens de bastidores que ninguém nunca tinha visto. Então, eu tinha mesmo esse
conteúdo. Eu fui na rede social e falei, olha, recebi os conteúdos do celular
do Bebianno e vou soltar a qualquer momento. E eles tomou conta da internet,
desviou o foco de lá, eles tremeram tudo. Não era uma mentira, eu tinha o
conteúdo. O conteúdo era o Bebianno servindo água para o Bolsonaro, conversa de
bastidor, não tinha nada demais”, disse Janones.
Chama a atenção a naturalidade com que o PT trata a
desinformação e as fake news como método de militância. É o exemplo que o
partido do presidente da República tem a dar ao país sobre como “defender a
democracia” espalhando desinformação.
Com informações de Veja

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