segunda-feira, 8 de junho de 2026

[VIDEO] E agora? Indicado de Lula para CNJ foi citado na Lava Jato, afirma senador

 


O senador Eduardo Girão (Novo-CE) subiu à tribuna do Senado nesta semana para fazer um pronunciamento contundente contra a indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, ao cargo de corregedor do Conselho Nacional de Justiça para o biênio 2026-2028. Com citações históricas, documentos públicos e denúncias já noticiadas, Girão traçou um painel que, segundo ele, torna impossível enxergar no indicado de Lula a independência e a imparcialidade que o cargo exige.

O senador abriu o discurso lembrando a célebre frase atribuída a Júlio César: "A mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta." A referência serviu de moldura para o argumento central de Girão. "Quando a aplicamos para qualquer autoridade pública, estamos na realidade ressaltando a necessária coerência entre aquilo que se é efetivamente e aquilo que é percebido pela sociedade", afirmou o parlamentar, antes de listar o que chamou de razões concretas para a rejeição do nome.

O primeiro ponto levantado pelo senador foi o episódio que se tornou um dos mais simbólicos da posse de Lula em janeiro de 2023. Na cerimônia de diplomação, um microfone aberto captou Benedito Gonçalves cumprimentando efusivamente o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, com a frase: "Missão dada é missão cumprida." Girão classificou o momento como a evidência de um "ambiente explícito de dúvidas sobre a imparcialidade institucional", uma vez que Alexandre de Moraes presidia o tribunal responsável por decidir processos eleitorais de grande repercussão. "Eu jamais esqueci isso", disse Girão. Para o senador, o TSE sob Moraes "vergonhosamente se comportou como um partido político, beneficiando escancaradamente o candidato Lula", promovendo censura a perfis de direita e a um documentário às vésperas da eleição.

O segundo ponto foi a citação de Benedito Gonçalves na colaboração premiada do empresário Léo Pinheiro, da construtora OAS, durante a operação Lava-Jato. Segundo a delação, entre 2013 e 2014, período em que a OAS tinha processos tramitando no STJ, houve diversos contatos com o ministro, que teria chegado a pedir apoio para uma eventual indicação ao STF. Girão lembrou que a então corregedora nacional de justiça, Nancy Andrighi, determinou a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar os fatos em 2015. "Esse episódio já seria suficiente para levantar importantes questionamentos sobre a real imparcialidade do ministro, dada a sua proximidade com agentes econômicos envolvidos em grandes escândalos de corrupção do governo Lula", afirmou.

O terceiro ponto abordado por Girão foi a atuação de Benedito como relator do julgamento que resultou na cassação do mandato do deputado federal Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava-Jato e recordista de votos no Paraná. Para o senador, o voto condenatório foi baseado numa "hipótese" segundo a qual Deltan teria pedido exoneração do Ministério Público Federal enquanto ainda respondia a procedimentos disciplinares internos que poderiam evoluir para uma punição e, em consequência, para a inelegibilidade. Girão classificou a cassação como "forte ativismo, com claros sinais de perseguição" e afirmou que episódios como esse explicam por que "os tribunais superiores de justiça vêm perdendo tanta credibilidade perante a sociedade."

O senador cearense também aproveitou o pronunciamento para cobrar a instalação da CPI do Banco Master, cuja criação foi barrada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apesar de os requisitos constitucionais terem sido cumpridos. Girão revelou que, junto aos senadores Alessandro Vieira, Marcos Pontes e Plínio Valério, impetrou um mandado de segurança no STF em março de 2026, mas o relator, ministro Nunes Marques, permaneceu inerte por meses. Segundo Girão, o filho de Nunes Marques recebeu valores ligados a transações indiretas do Banco Master, o que levou os senadores a pedir a suspeição do ministro. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo presidente do STF, Edson Fachin, sob o argumento de que foi protocolado fora do prazo regimental. "Jogando para debaixo do tapete", resumiu Girão.

A votação da indicação de Benedito Gonçalves ao CNJ está prevista para esta semana, durante o esforço concentrado convocado por Alcolumbre entre os dias 8 e 12 de junho. A aprovação depende de maioria absoluta, ou seja, ao menos 41 votos favoráveis. Na tentativa anterior, em 20 de maio, Alcolumbre interrompeu a sessão após apenas 59 dos 67 senadores presentes registrarem voto, numa manobra que senadores de oposição interpretaram como procrastinatória diante do risco de derrota. Apesar de a CCJ ter aprovado a indicação por 21 votos a 5, o cenário no plenário é considerado muito mais apertado, e o governo não tem garantia de que reunirá os votos necessários.

 

 

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