O governo Lula avalia que a tarifa adicional de
12,5% ligada ao trabalho forçado é a mais difícil de reverter entre as duas
novas propostas dos Estados Unidos. A medida é considerada internamente como a
ameaça mais concreta ao comércio bilateral. A informação é do Metrópoles.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA
(USTR) concluiu em 2 de junho uma investigação apontando falhas do Brasil e
outros 59 países no combate à importação de produtos feitos com mão de obra
forçada. Para as economias sem mecanismos eficazes de restrição, incluindo o
Brasil, a sobretaxa sugerida é de 12,5%.
A proposta ainda passará por consultas e audiências
públicas em julho antes de uma decisão final do governo Trump. O Brasil
apresentou sua defesa ao USTR em abril, após acompanhar o caso desde a abertura
da investigação, em março.
No Planalto, a avaliação é que a tarifa por trabalho
forçado funciona também como recomposição dos 10% das chamadas tarifas
recíprocas, suspensas em fevereiro por decisão da Suprema Corte americana. O
tema dificulta a defesa brasileira por ser reconhecido internacionalmente como
pauta legítima.
Um dia antes, o USTR divulgou outra investigação
específica contra o Brasil, recomendando tarifa adicional de 25% por práticas
comerciais que incluem o Pix. Somadas, as duas medidas poderiam elevar a
taxação sobre exportações brasileiras a 37,5%.
O governo avalia que a gestão Trump pode recuar na
tarifa de 25%, mas apenas mediante concessões em áreas de interesse dos EUA no
mercado brasileiro. A estratégia do Planalto é usar o diálogo bilateral para
evitar a aplicação integral das medidas.
As negociações correm dentro do grupo de trabalho
bilateral criado após o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca no mês
passado. A etapa inicial vai até domingo e busca reverter as primeiras tarifas
anunciadas dentro do prazo original de 30 dias.
Caso não haja acordo, o governo pretende solicitar
prorrogação das negociações até 15 de julho, data-limite para contestar as
medidas. Temas como minerais críticos e big techs estão fora da mesa, segundo
interlocutores.
A investigação dos 25% cita, além do Pix,
propriedade intelectual, desmatamento ilegal, combate à corrupção e etanol. No
caso do etanol, os EUA alegam que o Brasil interrompeu em 2017 um regime
tarifário equilibrado e não oferece mais reciprocidade às exportações
americanas.

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