sexta-feira, 5 de junho de 2026

Tarifa de 12,5% por trabalho forçado preocupa mais o Planalto do que os 25% sobre o Pix

 


O governo Lula avalia que a tarifa adicional de 12,5% ligada ao trabalho forçado é a mais difícil de reverter entre as duas novas propostas dos Estados Unidos. A medida é considerada internamente como a ameaça mais concreta ao comércio bilateral. A informação é do Metrópoles.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu em 2 de junho uma investigação apontando falhas do Brasil e outros 59 países no combate à importação de produtos feitos com mão de obra forçada. Para as economias sem mecanismos eficazes de restrição, incluindo o Brasil, a sobretaxa sugerida é de 12,5%.

A proposta ainda passará por consultas e audiências públicas em julho antes de uma decisão final do governo Trump. O Brasil apresentou sua defesa ao USTR em abril, após acompanhar o caso desde a abertura da investigação, em março.

No Planalto, a avaliação é que a tarifa por trabalho forçado funciona também como recomposição dos 10% das chamadas tarifas recíprocas, suspensas em fevereiro por decisão da Suprema Corte americana. O tema dificulta a defesa brasileira por ser reconhecido internacionalmente como pauta legítima.

Um dia antes, o USTR divulgou outra investigação específica contra o Brasil, recomendando tarifa adicional de 25% por práticas comerciais que incluem o Pix. Somadas, as duas medidas poderiam elevar a taxação sobre exportações brasileiras a 37,5%.

O governo avalia que a gestão Trump pode recuar na tarifa de 25%, mas apenas mediante concessões em áreas de interesse dos EUA no mercado brasileiro. A estratégia do Planalto é usar o diálogo bilateral para evitar a aplicação integral das medidas.

As negociações correm dentro do grupo de trabalho bilateral criado após o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca no mês passado. A etapa inicial vai até domingo e busca reverter as primeiras tarifas anunciadas dentro do prazo original de 30 dias.

Caso não haja acordo, o governo pretende solicitar prorrogação das negociações até 15 de julho, data-limite para contestar as medidas. Temas como minerais críticos e big techs estão fora da mesa, segundo interlocutores.

A investigação dos 25% cita, além do Pix, propriedade intelectual, desmatamento ilegal, combate à corrupção e etanol. No caso do etanol, os EUA alegam que o Brasil interrompeu em 2017 um regime tarifário equilibrado e não oferece mais reciprocidade às exportações americanas.

 

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