quarta-feira, 3 de junho de 2026

SEGURANÇA EM CHEQUE: SEAP libera segunda visita em presídios do RN às vésperas de eleição e acende alerta



O sistema penitenciário do Rio Grande do Norte ganhou mais um capítulo polêmico. Circula nas redes sociais de familiares de preso que a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP/RN) publicou a Portaria nº 1164, de 02 de junho de 2026, que autoriza a liberação de uma segunda visita nos estabelecimentos penais do estado. A medida, que mexe diretamente com a rotina e a segurança das unidades, levanta questionamentos profundos sobre o real propósito da decisão.

O que causa estranheza é que durante toda a atual gestão, a flexibilização para uma segunda visita nunca foi prioridade, mantendo-se um controle rigoroso sob a justificativa de preservar a ordem interna. No entanto, bastou entrarmos em ano eleitoral para que as portas dos presídios se abrissem com mais facilidade.

O absurdo da situação revela as prioridades da gestão. Antes mesmo de a SEAP dar conhecimento oficial da medida aos próprios Policiais Penais — que são os responsáveis por executar a ordem e garantir a segurança das unidades —, o documento já circulava amplamente em grupos de redes sociais de familiares de presos.

Essa inversão de prioridades demonstra uma preocupação maior em dar uma resposta imediata ao público externo do que em planejar a logística e a segurança com quem está na linha de frente.

Ressalta-se que a flexibilização ignora a realidade alarmante que o próprio estado enfrenta. Não faz muito tempo que o sistema registrou a fuga de 5 internos da maior penitenciária do estado, ALCAÇUZ, evidenciando que as barreiras de contenção e fiscalização já operam sob forte pressão.

Além disso, a justificativa de que "está tudo sob controle" cai por terra ao analisarmos as redes sociais da própria pasta. Constantemente, o perfil oficial da SEAP no Instagram exibe publicações de apreensões de drogas interceptados com visitantes que tentavam entrar nas unidades.

Se o ingresso de materiais proibidos através de visitantes já é um problema crônico e diário com apenas uma visita, qual é a lógica de dobrar essa exposição em um momento de vulnerabilidade do sistema?

Por fim, ao liberar mais fluxo de pessoas, a SEAP joga uma carga ainda maior de responsabilidade nas costas dos policiais penais, que já trabalham no limite. Sem um aumento proporcional do efetivo ou investimentos maciços em tecnologia de revista, a Portaria nº 1164 soa menos como um ato de humanização e mais como uma irresponsabilidade administrativa com fins eleitoreiros.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. 


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