quarta-feira, 10 de junho de 2026

Rede criminosa que traficava mulheres para exploração sexual no RN e mais dois estados é alvo de operação da PF

 


Uma operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foi deflagrada nesta quarta-feira (10) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de mulheres para exploração sexual no Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Batizada de Operação Donos da Noite, a ação cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal e concentra esforços na coleta de provas relacionadas a uma rede criminosa que, segundo as investigações, utilizava mulheres em situação de vulnerabilidade para obtenção de lucro por meio da exploração sexual.

O caso teve origem a partir de informações levantadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Guarabira, na Paraíba. Após o surgimento de indícios de crimes federais, a investigação foi encaminhada para a Justiça Federal e passou a ser aprofundada pela Polícia Federal.

Segundo os investigadores, os suspeitos administravam estabelecimentos utilizados para exploração sexual e mantinham um sistema de controle sobre as vítimas. Entre os mecanismos identificados estão a imposição de dívidas, cobrança de multas, metas de consumo e outras práticas que dificultavam o desligamento das mulheres do esquema.

As apurações também revelaram indícios de uma intensa movimentação de mulheres entre unidades localizadas no Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Para os investigadores, essa transferência constante pode caracterizar o crime de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual.

Além do cumprimento das ordens judiciais, equipes compostas por policiais federais, procuradores da República, procuradores do trabalho e auditores fiscais realizaram fiscalizações nos estabelecimentos investigados. O objetivo é identificar possíveis vítimas, reunir provas e verificar a existência de situações de trabalho análogo à escravidão.

Durante a operação, os agentes buscam apreender documentos, celulares, computadores, registros contábeis, comprovantes bancários e outros materiais que possam ajudar a comprovar a atuação da organização criminosa e rastrear a movimentação financeira do grupo.

As autoridades também trabalham para localizar possíveis vítimas, ouvir testemunhas e identificar outros envolvidos no esquema.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes como tráfico de pessoas, redução à condição análoga à escravidão, manutenção de casa de prostituição e rufianismo, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o andamento das investigações.

A operação reforça a atuação integrada dos órgãos de segurança e fiscalização no combate a crimes que atentam contra a dignidade humana, especialmente aqueles relacionados à exploração sexual, ao tráfico humano e à violação dos direitos fundamentais das vítimas.

 

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