O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mobilizou
veículos oficiais da própria Corte, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
(TJ-RJ) e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) para passeios
turísticos com convidados estrangeiros de evento sobre ética no Judiciário.
Intitulado “Congresso Internacional Estado de
Direito e Ética Judicial”, o evento é uma iniciativa do atual presidente do
STJ, ministro Herman Benjamin.
Parte do mundo jurídico vê a atividade como
contraponto ao XIV Fórum de Lisboa, mais conhecido como “Gilmarpalooza” — o
apelido faz referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar
Mendes. Ao contrário do evento do STJ, o Fórum de Lisboa não é patrocinado com
recursos públicos.
Embora a maior parte da programação do evento do STJ
ocorra em Brasília, o encontro incluiu painel no Rio de Janeiro para discutir o
processo de atualização dos Princípios de Bangalore de Conduta Judicial. Esses
princípios são um conjunto de diretrizes para a atuação de magistrados
propagadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A coluna apurou que foi um
pretexto para o roteiro turístico no Rio.
No sábado (30/5), os convidados estrangeiros do STJ
fizeram tour pelo Rio de Janeiro em carros oficiais dos tribunais. Visitaram
pontos turísticos, como o Maracanã e o Cristo Redentor. No domingo (31), o
Brasil jogou contra o Panamá no estádio. A maior parte da programação do
encontro, no entanto, ocorre em Brasília (DF). Segundo a coluna apurou, foram
usados cerca de 50 veículos oficiais.
Em nota, o STJ disse que os custos do evento ainda
serão calculados e “disponibilizados oportunamente no prazo de duas semanas”.
Ou seja, o STJ fez evento sobre ética no Judiciário e não sabe dizer quanto
custou.
Sobre o passeio da delegação estrangeira no Rio de
Janeiro, a Corte disse apenas que os convidados “visitaram pontos turísticos do
Rio de Janeiro, sem despesas de almoço e jantar para o STJ”. A Corte não
respondeu sobre ter usado carros oficiais.
Ao todo, o evento reuniu representantes de 23
tribunais estrangeiros — inclusive cortes constitucionais — para discussões
sobre ética no Judiciário, inteligência artificial, redes sociais e defesa do
Estado de Direito.
A atividade no Rio de Janeiro não consta na
programação oficial do Congresso, divulgada pelo STJ em seu site.
Em nota, o STJ disse que pagou apenas as passagens
dos convidados de três países: África do Sul, Argentina e Peru. Esses
convidados viajaram em classe econômica, segundo o tribunal.
Durante sua participação no evento nesta
segunda-feira (1º/6), a ministra Cármen Lúcia, do STF, cobrou a observância de
princípios éticos por parte dos juízes brasileiros.
“Eu acredito no Poder Judiciário brasileiro, nos
juízes e juízas brasileiras, e sei que (existem) eventuais falhas, e elas há.
Somos um grupo de pessoas humanas, com nossas falhas, nossos limites”, disse a
ministra.
Parte da programação do evento aconteceu sem acesso
da imprensa e sem transmissão ao vivo. À coluna, o STJ disse que o objetivo era
viabilizar a discussão livre entre os participantes.
“Logo após o Congresso, será publicado um relatório
público contendo os principais debates e as conclusões do evento, sem
identificação das contribuições individuais”, disse a Corte, em nota.
Com informações da Coluna de Andreza
Matais/Metrópoles

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