Um cumprimento de mandado de busca e apreensão
terminou em troca de tiros envolvendo policiais civis e o marido de uma
policial militar na madrugada de segunda-feira (22), em Nísia Floresta, cidade
da Grande Natal. Segundo a Polícia Civil, um agente foi baleado de raspão no
rosto. Já o homem que trocou tiros com os agentes foi preso.
O caso foi registrado em uma residência na Colônia
de Pium, por volta das 5h15 da manhã. De acordo com a Polícia Civil, a
residência onde moram a policial militar e o marido constava como alvo de um
mandado ligado a um investigado - que não é nem um dos dois.
O marido da militar, segundo a defesa do casal,
atirou nos agentes sem saber que se tratavam de policiais e por temer que seria
criminosos. No tiroteio, o homem utilizou uma espingarda calibre 12 em situação
irregular. Os policiais reagiram e o detiveram. Ele foi preso em flagrante por
posse ilegal de arma e tentativa de homicídio.
Um policial civil foi atingido na região do rosto,
sofrendo ferimentos durante a ocorrência. O policial recebeu atendimento médico
e seu estado de saúde é estável, segundo a corporação.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, as equipes
policiais observaram todos os protocolos operacionais previstos e se
identificaram como policiais civis, também com a verbalização da presença
policial e "procedimentos de segurança para abordagem do imóvel".
A Polícia Civil reforçou que havia dois endereços
ligados ao alvo da ação, incluindo a casa onde estavam a policial militar e o
marido, segundo as investigações. Já o investigado foi preso pelos agentes em
outro local, em outro endereço relacionado a ele.
O que diz a defesa da policial militar
De acordo com o relato prestado pela policial
militar à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, ela estava na residência com o esposo
e o irmão, relatou que seu pai foi o primeiro a perceber a movimentação dos
agentes. Ele, que dormia do lado de fora da casa, acordou ao ouvir o portão
sendo derrubado e correu de volta para o interior da residência, chamando o esposo
dela aos gritos.
A militar relatou ainda que ela e os outros
moradores acordaram e correram para um banheiro. Acreditando que os homens se
tratavam de criminosos, o companheiro dela pegou uma arma calibre 12 e atirou
contra eles, que também atiraram contra residência, iniciando uma troca de
tiros.
"Meu pai viu uma pessoa em cima do muro, mas no
susto não conseguiu identificar quem era, né, se era polícia ou o que era,
pensava que era bandido e entrou correndo, gritando para o meu esposo para a
gente ir em casa. A gente correu para dentro do banheiro, meu pai subiu as
escadas. Aí correu eu, meu irmão e meu pai para dentro do banheiro, a gente se
trancou e deitou no chão e meu esposo pegou a arma e atirou", disse a
policial militar.
A militar justificou a reação do companheiro
relatando que ele já sofreu assaltos no local. "Eu não lembro se os
primeiros disparos vieram de lá para cá ou se foi, se meu esposo que disparou
primeiro, eu sei que depois de um tempo a gente ouviu "polícia,
polícia". Mas lá meu esposo já foi assaltado, já foi amarrado, é uma área
totalmente erma assim, no meio do mato, basicamente", disse.
O advogado que representa a militar, Airton Romero
Ferraz, afirmou que teve acesso ao mandado de busca e apreensão que deu origem
a ação, e apontou erro dos agentes da Polícia Civil. Segundo ele, o endereço do
cumprimento do mandado era diferente ao endereço da diligência.

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