Críticas do empresário Luciano Hang às universidades
federais provocam respostas do governo, de instituições de ensino e de
organizações estudantis. Hang afirmou, no fim de maio, que as instituições de
ensino superior se transformam em “guetos da esquerda” e associa essa situação
ao desempenho econômico do Rio Grande do Sul.
Segundo o empresário, dono da rede de lojas Havan,
as universidades deixaram de priorizar a formação técnica e passaram a
reproduzir visões ideológicas. As declarações ocorreram diante de apoiadores e
foram divulgadas nas redes sociais.
Hang afirmou que as universidades federais exercem
influência política sobre estudantes e professores. Para ele, parte das
instituições está desconectada das demandas do mercado de trabalho e do setor
produtivo.
As críticas se somam a declarações feitas pelo
empresário nos últimos anos sobre o papel das universidades públicas e o uso de
recursos federais destinados ao ensino superior.
Fundador da Havan, Hang é um dos empresários mais
próximos da direita brasileira e frequentemente se manifesta sobre temas
políticos e econômicos.
As declarações provocaram reações de integrantes do
governo federal e de entidades ligadas ao setor educacional.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação,
Luciana Santos, defendeu as universidades federais.
A presidente da União Nacional dos Estudantes,
Bianca Borges, também defendeu que as universidades são espaços de desenvolvimento
nacional. “As universidades públicas nunca foram um ‘gueto da esquerda’”,
afirmou.
Não é a primeira vez que Hang entra em conflito com
universidades públicas. Em anos anteriores, o empresário fez críticas
semelhantes a instituições federais e questionou o que considera influência
ideológica da esquerda no ambiente acadêmico.
Em uma dessas ocasiões, em 2020, Hang teve que o
pagar R$ 5 mil por danos morais ao então reitor da Universidade Estadual de
Campinas, Marcelo Knobel. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve uma
condenação que teve origem em uma publicação do empresário.
Revista Oeste

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