A residência oficial do Brasil em Roma do Itamaraty
tornou-se, nos últimos anos, refúgio de artistas que declararam apoio ao
presidente Lula (PT) na eleição de 2022. Mantido com recursos públicos, o
prédio histórico no centro da capital italiana deu guarida, durante o governo
Lula III, a artistas como as cantoras Fafá de Belém e Mônica Salmaso e os escritores
Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, entre outros.
A lista foi obtida pela coluna via Lei de Acesso à
Informação (LAI). Esses artistas foram mencionados porque viajaram com recursos
públicos do Programa de Diplomacia Cultural — uma iniciativa do Ministério das
Relações Exteriores para a promoção da cultura brasileira no exterior.
Outros hóspedes, como o ator Fábio Porchat, não
constam da lista. Porchat viajou com recursos próprios e foi recebido como
hóspede privado do embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca.
Ao todo, o Itamaraty informou as estadias de 68
pessoas e seus acompanhantes. A maioria é de autoridades e seus assessores,
inclusive o presidente Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) e a
ex-presidente Dilma Rousseff (leia mais abaixo).
Como mostrou a coluna, a operação dos prédios de
embaixadas e residências oficiais do Brasil no exterior custou pelo menos R$
240,5 milhões em 2025.
Shows de Fafá de Belém custaram R$ 273 mil
Fafá de Belém hospedou-se na residência oficial em Roma entre os dias 18 e 22
de maio de 2024, junto com o multi-instrumentista André Mehmari — os dois
apresentaram-se em Roma e em San Marino (um pequeno país dentro da Itália). O
valor aprovado para a atividade foi de 45.122,00 euros, equivalente a R$ 273,8
mil em valores de hoje.
Em 2022, a cantora publicou vídeo em suas redes
sociais declarando apoio a Lula no 1º turno. “Pela permanência do Estado
Democrático, pela vida, por quem sobreviveu, por quem está aqui hoje, pela
minha filha (…), eu, Maria de Fátima, Fafá de Belém, 66 anos, voto Lula”, diz
ela na postagem.
O valor da atividade de Fafá de Belém foi bem maior
do que o da cantora Mônica Salmaso — ela e dois músicos que a acompanham também
se hospedaram na residência oficial em Roma, em outubro de 2024. No caso dela,
a atividade foi orçada em 7.650 euros, o que equivale a R$ 51,2 mil no câmbio
da época, corrigido pela inflação.
Desde fevereiro deste ano, a coluna tenta obter a
lista de hóspedes das embaixadas brasileiras no exterior via Lei de Acesso à
Informação. Inicialmente, o Itamaraty negou acesso às informações, alegando
tratar-se de pedido “desarrazoado” e “desproporcional”.
No entanto, no fim de maio, a Controladoria-Geral da
União acolheu um recurso da reportagem e determinou a liberação dos dados.
Itamaraty hospedou Dilma Rousseff, Barroso e Messias
em Roma
A maioria dos hóspedes das residências do Itamaraty em Roma é composta por
políticos, autoridades e servidores públicos.
Hospedaram-se lá o ex-ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro passado, e o
ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Joseli Camelo. O local também
foi usado pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e pelo ministro da
Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, entre outros.
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) também ficou na
residência oficial entre os dias 22 e 27 de abril de 2024.
Itamaraty: hóspedes participam de iniciativas
diplomáticas
Ao responder o pedido da Lei de Acesso, o Itamaraty incluiu uma pequena explicação
sobre o funcionamento da embaixada brasileira em Roma. Segundo a pasta, o posto
“contribui para a promoção do Brasil na Itália ao sediar atividades
institucionais, culturais, de promoção comercial, atração de investimentos,
cooperação científico-tecnológica e acadêmica e diplomacia pública”.
Apresentações culturais são parte desse esforço, disse o Itamaraty.
“No caso de artistas e demais personalidades que vêm
a Roma para participar de eventos organizados pela Embaixada, a eventual
hospedagem na residência oficial ocorre como forma de apoio institucional, em
razão de sua participação em iniciativas de caráter público, contribuindo para
a promoção dos interesses do Brasil no exterior”, disse o órgão em sua
manifestação.
Metrópoles

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